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domingo, 9 de outubro de 2011

Rock In Rio 2011 - Balanço


Texto originalmente publicado no Portal Iradio

Passando a régua de vez no assunto Rock In Rio, nada mais justo que um balanço com as melhores e piores apresentações. Não estive na cidade do rock em nenhum dos 7 dias de evento, mas acompanhei um parte considerável do festival pela TV/internet. Mais ou menos uns 80% do palco mundo e uns 70% do sunset (cálculo sem a menor precisão).

Segue a lista:


Palco Mundo

Melhores Shows



1) Stevie Wonder
2) Metallica
3) Coldplay
4) Janelle Monae
5) Red Hot Chili Peppers

Stevie Wonder foi imbatível. E não só pela banda afiada e o repertório matador.Wonder é o show. Seja na voz incrível ou na simpatia, o cantor interagiu e dominou o público do início ao fim da apresentação.

Menções honrosas: Shakira, Motorhead, System Of A Down e Skank. Isso sem contar Ivete Sangalo e Slipknot, que apesar de serem shows quase que opostos tiveram a mesma característica: bons de palco, mas as músicas...


Piores Shows



1) Ke$ha
2) Detonautas
3) Glória
4) Maná
5) Tributo ao Legião Urbana

Ke$ha foi um lixo em tantos aspectos que fica até difícil enumerar. A voz parecia sair de uma dessas máquinas que “conversam” com você. O visual dela e do palco foi milimetricamente bizarro, tudo para “chocar” e posar de fodona. A atitude dela no palco então... vergonha alheia é pouco para tanta pose.


Palco Sunset


Melhores shows


1) Mike Patton/Mondo Cane + Orquestra de Heliópolis
2) Sepultura + Tambours Du Bronx
3) Cidadão Instigado + Júpiter Maçã
4) Tiê + Jorge Drexler
5) Tulipa Ruiz + Nação Zumbi

O projeto do workaholic Mike Patton (Faith No More, Mr. Bungle, Fantomas…) é voltado para canções italianas das décadas de 50 e 60. Mas não pense em nada cafona ou muito comportado. As versões insanas de Patton casaram perfeitamente com a Orquestra de Heliópolis, que interagiu com o vocalista de maneira brilhante. A atração entrou no festival desconhecida e saiu aclamada, tal qual o Faith No More, do mesmo Mike Patton, no Rock In Rio de 1991.


Piores Shows

Como assisti menos shows do palco sunset, me limito a colocar apenas dois na lista de piores: Marcelo Yuka + Cibelle + Karina Buhr + Amora Pêra, a falta de entrosamento entre as cantoras resultou em momentos constrangedores, como o refrão de “Minha Alma”; Angra + Tarja Turunem, confesso que não morro de amores pelo Angra, mas basta ter a audição funcionando para perceber o quão ruim foi o show. Som horrível, Edu Falaschi desafinando horrores e até Tarja se perdendo e entrando fora do som devido ao retorno, que devia estar ainda pior que o som para o público.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

E se você pudesse montar o seu próprio Rock in Rio?!


Imagine se você pudesse escolher a escalação completa do Rock In Rio de acordo apenas com o seu gosto musical! Pois bem, nos moldes do festival carioca (carioca?!), abaixo você vê todo um line up baseado única e exclusivamente no MEU gosto pessoal, ou seja, desconsidere a dificuldade de todos esses artistas dividirem o mesmo evento e outros problemas.

No meu Rock In Rio a lógica dos palcos é a mesma, Palco Mundo e Palco Sunset (ignorei a tenda eletrônica e a rockstreet), apenas com algumas diferenças. Na minha programação, o palco mundo conta sempre com uma ou duas atrações nacionais e o resto é internacional. Já o palco sunset, ao invés de explorar parcerias inusitadas como no Rock In Rio real, a ideia aqui é escalar bandas/artistas (ao menos a maioria) que tenham uma sonoridade mais “leve”, como um aquecimento para as atrações do palco principal.

Pois então, segue o line up do MEU Rock In Rio. Daria um rim para ir a um festival como esse. Sonhar não custa, não é mesmo?! E você, se pudesse escalar o line up do Rock In Rio ou de qualquer outro festival, como seria?

SEXTA-FEIRA



PALCO SUNSET
PALCO MUNDO

Josh Rouse


Bob Dylan


Roddy Woomble


Wilco


Stornoway


The Decemberists


Beeshop


Vanguart



Apanhador Só




SÁBADO



PALCO SUNSET
PALCO MUNDO

Bombay Bicycle Club


Neil Young


The Horrible Crowes


Arcade Fire


Lê Almeida


Manic Street Preachers


Céu


Wander Wildner



Banda Gentileza




DOMINGO



PALCO SUNSET
PALCO MUNDO

James Blake


Radiohead


Gotye


Weezer


Jair Naves


Yuck


Cícero Lins


Cidadão Instigado



Violins




QUINTA-FEIRA



PALCO SUNSET
PALCO MUNDO

Idlewild


The Cure


The Drums


The Killers


Cérebro Eletrônico


The Horrors


Curumin


Pública



Quarto Negro




SEXTA-FEIRA



PALCO SUNSET
PALCO MUNDO

Two Door Cinema Club


Foo Fighters


Holger


Queens Of The Stone Age


Emicida


Grinderman



Cage The Elephant



Black Drawing Chalks




SÁBADO



PALCO SUNSET
PALCO MUNDO

Band Of Horses


Bruce Springsteen


Lissie


Social Distortion


Tulipa Ruiz


The Gaslight Anthem


Lucy Rose


Ash



Los Porongas




DOMINGO



PALCO SUNSET
PALCO MUNDO

Noel Gallagher


Pearl Jam


Michael Kiwanuka


Arctic Monkeys


Fábio Góes


The Vaccines


Marcelo Jeneci


The Joy Formidable



Nevilton

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Rock In Rio. Eu vou?


Texto originalmente publicado no Portal Iradio

“O Brasil, definitivamente, entrou na rota dos grandes shows internacionais”. Difícil calcular há quanto tempo essa frase é ventilada por boa parte da crítica e dos entusiastas do segmento. Independente do status que a afirmação carrega, o fato é que, nos últimos anos o número de bandas gringas se apresentando em terras tupiniquins aumentou muito. Tanto em apresentações isoladas quanto em festivais.



O bem sucedido Planeta Terra, de São Paulo, realiza em 2011 a quinta edição. O Natura Nós, também em São Paulo, vai se concretizando já com a terceira edição realizada neste ano. Em 2010 o Brasil viu nascer o SWU (Starts With You), proposta bastante ambiciosa de um festival unindo shows e um movimento sustentável, em Itu/SP. Em 2011, além dos três citados (Natura já aconteceu, Terra acontece em novembro, SWU também em novembro, mas dessa vez em Paulínia/SP), os brasileiros vão se deparar com um velho conhecido, o Rock in Rio.

Depois de três edições no Rio de Janeiro, quatro em Lisboa (Portugal) e duas em Madrid (Espanha), o festival idealizado e organizado pelo empresário Roberto Medina volta à sua terra natal com sete dias de shows: 23, 24, 25, 29 e 30 de Setembro e 1 e 2 de outubro.

Um dos pontos de maior discussão sobre os festivais brasileiros, e provavelmente nos estrangeiros também, é o line-up, ou seja, a escalação de bandas e artistas que vão se apresentar. O Natura Nós, em linhas gerais mescla música brasileira (Vanessa da Mata, Arnaldo Antunes, Céu, Karina Buhr) com artistas internacionais tidos como, digamos, pop refinado (Jack Jonhson, Air, Jamiroquai, Jamie Cullum). Já o Planeta Terra tem como base estrutural o indie (Pavement, Sonic Youth, Phoenix, Kaiser Chiefs), mas tem espaço para momentos nostálgicos do rock (Smashing Pumpkins, The Jesus And Mary Chains, Iggy And The Stooges) e aspirações pop (Lily Allen, Mika).

O SWU, com apenas uma edição realizada e com o line-up 2011 começando a se desenhar, acaba se tornando um misto de tendências, até por ser maior do que os outros citados, contando com pop (Joss Stone, Linkin Park), rock (Rage Against The Machine, Queens Of The Stone Age), indie (Yo La Tengo, The Apples In Stereo) e shows mais intimistas (Josh Rouse, Regina Spektor).

Na última semana o Rock In Rio 2011 definiu sua grade de shows completa. O Palco Sunset tem uma proposta interessante de fazer parcerias entre bandas e artistas nacionais e alguns internacionais, promete algumas boas surpresas. Terão também a tenda Eletrônica e o palco Rocktreet. Mas o que essa coluna se presta a comentar hoje é o Palco Mundo, onde as maiores atrações do evento vão se apresentar.


Sexta-feira 23/09 – Paralamas do Sucesso junto com Titãs é bastante condizente com o festival. Por mais que as duas bandas estejam em uma fase decadente, são representantes do rock nacional mais clássico. Vale lembrar que os Paralamas fizeram uma apresentação histórica no início da carreira, no Rock in Rio de 1985. O show de 2011 contará com participação de Milton Nascimento, mas o que assusta é Maria Gadú e Orquestra Sinfônica Brasileira perdidos nisso tudo. O dia que parecia de rock muda bruscamente para o pop com Cláudia Leitte, Katy Perry e Rihanna. Essas duas últimas devem levar grande público ao evento, e há chances de grandes performances. Para fechar a noite, Elton John, soando deslocado na programação, mas provavelmente será o melhor show da noite, musicalmente falando.


Sábado 24/09 – Um dia de rock, por mais que ele comece capenga com o NX Zero e continue sem muita expressão com o Stone Sour. Capital Inicial, para manter a aura do rock nacional viva, para o bem ou pra o mal. Snow Patrol, que se apresentou em 2010 no Natura Nós, e por fim, Red Hot Chili Pepers. As expectativas para o show dos caras é grande. Vão estar com disco novo na praça, os brasileiros vão poder conhecer o novo guitarrista, Josh Klinghoffer, e a banda vai poder se redimir do show anêmico do Rock In Rio 2001, um dos mais esperados e mais decepcionantes.


Domingo 25/09 – O dia do metal. Para manter o começo frouxo do dia anterior a primeira banda é o Glória, em seguida Coheed And Cambria, ainda com os motores em aquecimento. A partir daí a paulada começa. Motorhead, Slipknot e Metallica. Tirando o Slipknot e toda sua pose “olha como sou do mal”, as outras duas bandas já valem o ingresso.


Quinta-feira 29/09 – O dia extra do festival retoma a aura pop da abertura, mas com um certo refinamento. Orquestra Sinfônica Brasileira volta ao palco, dessa vez para tocar Legião Urbana com Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. Janelle Monáe e Jamiroquai abrem espaço pra o pop mais apurado (mais no caso da Janelle Monáe), enquanto Kesha o escancara novamente. Para fechar a noite, soando um pouco deslocado, assim como Elton John no primeiro dia, o grande Stevie Wonder.


Sexta-feira 30/09 – Mais um dia pop (outro?!). Começando verde e amarelo com Marcelo D2, Jota Quest e Ivete Sangalo, até que o line-up joga um balde de água fria na micareta com o sumido (e sem graça) Lenny Kravitz e termina com o requebrado hipnotizante de Shakira, pena que os marmanjos certamente não irão aguentar toda a programação do dia para babar nas curvas da moça.


Sábado 01/10 – Quando o show mais esperado em um dia predominantemente rock é de um rapper, algo está errado. Abrem a noite Frejat e depois Skank. Em seguida Maná (alguém lembra deles?). Jay-Z vem com a fama de fazer grandes shows. No fim da noite, Coldplay, com a chance de ser ofuscado pela atração anterior.



Domingo 02/10 – No último dia o foco é o rock. Detonautas, Pitty, Evanescence no início. O final, com expectativas de insanidade coletiva, tem o aguardado System Of a Down e Guns n’Roses. Este último fez um dos shows mais comentados do Rock in Rio 2001, marcando a volta da banda aos palcos depois de um longo hiato.

Resumindo, 3 dias voltados para o rock, 3 para o rock e 1 para o metal. Nenhuma atração é muito surpreendente. Alguns bons nomes, mas com passagens recentes pelo país como Metallica e Motorhead. Vale citar Stevie Wonder e Elton John como uma boa lembrança a um som mais clássico, Jay-Z pelo inusitado e Red Hot Chili Pepers pelo disco e guitarrista novo.

De toda forma, é bom saber que, enfim, o festival voltou ao Brasil, mas por outro lado, se pensarmos que na última edição em terras brasileira tivemos Neil Young, R.E.M., Foo Fighters, Oasis e tantos outros, bate um desânimo…