terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Melhores Discos Internacionais de 2012

#01 - Lonerism - Tame Impala



Top 3

Feels Like We Only Go Backwards
Apocalypse Dreams
Nothing That Has Happened So Far Has Been Anything We Could Control


#02 - Home Again - Michael Kiwanuka 



Top 3

I'm Getting Ready
Tell Me A Tale
Worry Walks Beside Me


#03 - Between The Times And The Tides - Lee Ranaldo



Top 3

Xtina As I Knew Her
Waiting On A Dream
Off The Wall


#04 - Blunderbuss - Jack White



Top 3 

Freedom At 21
Love Interruption
Blunderbuss


#05 - Like I Used To - Lucy Rose



Top 3

Red Face
Bikes
Middle Of The Bed


#06 - Oceania - Smashing Pumpkins



Top 3 

Violet Rays
The Celestials
Panopticon


#07 - Tramp - Sharon Van Etten



Top 3 

Give Out
Serpents
Warsaw


#08 - Jake Bugg - Jake Bugg



Top 3 

Lightning Bolt
Taste It
Broken


#09 - Wrecking Ball - Bruce Spingsteen



Top 3

Wrecking Ball
We Take Care Of Our Own
Rocky Ground


#10 - Boys And Girls - Alabama Shakes



Top 3

Hang Loose
Hold On
Be Mine

Melhores Discos Nacionais de 2012

#01 - E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando A Sua Fuga, Cavando O Chão Com As Próprias Unhas - Jair Naves



Top 3

No Fim Da Ladeira, Entre Vielas Tortuosas
Maria Lúcia, Santa Cecília e Eu
Pronto Para Morrer (O Poder De Uma Mentira Dita Mil Vezes)


#02 - Aleluia - Cascadura



Top 3

Aleluia
A Mulher De Roxo
Soteropolitana


#03 - Caravana Sereia Bloom - Céu



Top 3

Chegar Em Mim
Retrovisor
Streets Bloom


#04 - No Dust Stuck On You - Black Drawing Chalks



Top 3

Cut Myself In Two
Street Rider
Little Crazy


#05 - Arrocha - Curumin



Top 3 

Passarinho
Selvage 
Doce


#06 - Tudo Tanto - Tulipa Ruiz



Top 3

Quando Eu Achar
Dois Cafés
Cada Voz


#07 - O Pensamento É Um Imã - Vivendo Do Ócio



Top 3

Radioatividade
Nostalgia
O Mundo É um Parque


#08 - Avante - Siba



Top 3 

Brisa
Ariana
Preparando O Salto


#09 - A Vida Secreta Das Referências - Giancarlo Rufatto



Top 3

Melô Do Crime Passional
Quase Lá, Mas Ainda Aqui
Enquanto A Noite Puder Fingir Um Sorriso


#10 - Faria & Mori - Faria & Mori 



Top 3 

Precaução
Outro Lugar
Que Os Cães Vivessem Mais

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Raça Negra here, there and everywhere




Você já sabe de todo aquele papo sobre a relação da geração atual com as músicas do Raça Negra, já cansou de ouvir que o som deles "faz parte da memória afetiva e tocava nos churrascos de domingo da familia". De toda forma é inevitável notar que nos últimos meses o nome do grupo tem sido alardeado com mais força pela internet (ao menos no meu círculo de contatos), o que mostrou pra muita gente que a qualidade das canções vai muito além da nostalgia familiar noventista.

Em meio a tudo isso, dois fatos colocaram o Raça Negra de forma mais efetiva no meu caminho novamente depois do sucesso que fizeram nos anos 90. O primeiro motivo: o camarada Jorge Wagner, depois de muito planejar, colocou em prática, junto com o site Fita Bruta, o projeto Jeito Felindie. Que é, como o nome sugere, um tributo de bandas indie ao Raça Negra. Lançado oficialmente sexta passada (12/10) para audição e download, o trabalho conta com doze versões feitas por bandas dos mais variados perfis.


O outro acontecimento que me trouxe o grupo de Luís Carlos (sim, o da língua prefffa) a tona, foi o show deles na minha cidade, Araçatuba. Preço honesto, data propícia, namorada interessada e ao menos um amigo disposto a encarar junto comigo. Não dava pra perder. Combinei, comprei os ingressos e fui.

A primeira música da apresentação foi a simbólica “Cheia de Manias” (ou “a do dididididiê”). Daí em diante você já pode imaginar a avalanche de hits... mas sobre o show em geral, algumas coisas devem ser destacadas: Luiz Carlos já está com a voz bastante desgastada e durante a execução do repertório se apoiou no coro ou “na galera” em vários momentos; o filho dele subir no palco e cantar umas SETE músicas foi extremamente desnecessário; no meio de tantos sucessos, tocar covers de músicas famosas, incluindo “Não Quero Dinheiro” DUAS vezes, também foi pra lá de dispensável. Mas parece que ninguém se importou com isso.

A quantidade de hits e a forma como eles são cantados e celebrados falava por si só. Poucas vezes vi tanta devoção a um artista no palco. Logo na minha frente estavam dois rapazes, irmãos gêmeos, um deles com a namorada e ainda uma terceira irmã com o namorado. A emoção dos dois irmãos era uma coisa tão contagiante que não tinha como não acompanhar todos os movimentos. A cada música que começava eles pulavam, se abraçavam, acenavam para o alto e cantavam... muito, cada palavra de cada letra de cada música. De vez em quando viravam para as outras pessoas que estavam com eles e diziam coisas como “essa música é do disco tal, tocava em tal lugar, lembra?”. A irmã e a namorada estavam seriamente preocupadas, temendo que eles pudessem passar mal de tanta emoção.

Eles não eram os únicos, todas as músicas ganharam um coro potente e emocionado ao vivo. É difícil destacar um momento específico de destaque na apresentação, mas “Jeito Felino” e “Poderosa” foram bastante celebradas e encerraram um show longo e intenso.

"ffe não tiver voffe, o meu coraffão chora"

É possível que os gêmeos emocionados nunca tenham ouvido falar de Giancarlo Rufatto, ou que poderiam não curtir a melodia desconstruída na versão folk de “Maravilha”. Talvez pudessem achar que o Nevilton tocando “Vida Cigana” tenha ficado muito pauleira, ou que “Jeito Felino” e “É Tarde Demais” teriam ficado esquisitas por demais nas versões de Letuce e Harmada. Por outro lado, poderiam se encantar com a voz doce da Vivian Benford em “Cheia de Manias”, ou aprovar o acento pop que “Quando Te Encontrei” ganhou na versão do Amplexos. Quem sabe...

No final das contas tudo isso é muito relativo, o que sobra é que tanto eu quanto você, o Jorge Wagner, o pessoal do Fita Bruta, os gêmeos, os indies e os pagodeiros gostamos de boas músicas, e todos podemos concordar que o Raça Negra já fez muitas e elas estão aí, de várias formas, na turnê revival que passou por Araçatuba e no Jeito Felindie, na dúvida não escolha, viva com todas. 


Indididididiê

sábado, 22 de setembro de 2012

As 20 melhores músicas do R.E.M.


Ontem fez exatamente um ano que o R.E.M anunciou o fim da banda. Na época, escrevi por aqui sobre isso. E para marcar essa data e homenagear esse grande grupo, o chapa Bruno Capelas montou um especial no Pergunte ao Pop: As 20 melhores músicas do R.E.M.

21 votantes participaram, jornalistas e críticos de música. Muita gente boa. (eu to no meio, mas aí o "gente boa" fica a seu critério, caro leitor). Veja como ficou a lista.

01 - It's The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)
02 - Losing My Religion
03 - Man On The Moon
04 - At My Most Beautiful
05 - Shiny Happy People
06 - Everybody Hurt
07 - Fall On Me
08 - Leave
09 - Nightswimming
10 - The Great Beyond
11 - Electrolite
12 - E-Bow The Letter / What's The Frequency, Kenneth?
14 - Country Feedback
15 - The One I Love / Radio Free Europe / Drive 
18 - Überlin
19 - Talk About The Passion 
20 - The Sidewinder Sleeps Tonite 

confira o especial completo clicando aqui.


O pedido foi para que cada votante escolhesse as 5 músicas favoritas do R.E.M. e escrevesse um breve texto sobre a primeira da lista. Pois bem, segue abaixo não minhas 5, mas minhas 20 músicas escolhidas e meu breve relato sobre a melhor colocada.

01 - Losing My Religion 





02 - Everybody Hurts 





03 - It’s the End Of The World As We Know It (And I Feel Fine) 




04 - Man On The Moon




05 - Perfect Circle




06 - The One I Love
07 - World Leader Pretend
08 - So. Central Rain
09 - Fall On Me
10 - Bittersweet Me
11 - Überlin
12 - Leave
13 - Talk About The Passion
14 - Country Feedback
15 - What’s The Frequency, Kenneth?
16 - Turn You Inside-Out
17 - (Don’t Go Back To) Rockville
18 - Finest Worksong
19 - She Just Want To Be
20 - Laughing


Até tentei fugir do óbvio, bancar o “espertão” e colocar no topo da lista algum labo-b obscuro que seria “a grande pérola” (ainda) a ser descoberta na carreira do R.E.M.. Mas não deu. Seria muita hipocrisia da minha parte não dar a primeira colocação para Losing My Religion.

Os versos atormentados e a melodia forte e marcante ainda funcionam, assim como o bandolim, que acabou se tornando uma espécie de marca registrada da música. Não a toa, é o maior sucesso da banda até hoje.

Foi a segunda música do R.E.M. que ouvi na vida (a primeira foi Shiny Happy People). Quando me posicionei no videocassete e comecei a gravar o clipe que passava na MTV meu pai logo alertou: “Essa é a melhor deles”. E muitos anos depois, ouvindo calmamente e acompanhando a letra, devo dizer: ainda emociona!



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Acertando as contas com Herbert Vianna



Lembro que tinha uns 11 anos e estava em uma festa de casamento ou algo do tipo em Auriflama, cidade onde cresci. Meu tio me chamou para ir a Araçatuba ver o show dos Paralamas Do Sucesso, ele ia levar meus primos e me convidou. Provavelmente era 1996. Só me recordo vagamente da data por lembrar que a turnê era do disco Nove Luas, lançado neste mesmo ano. Por mais que me esforce não consigo lembrar por qual motivo acabei recusando o convite, fiquei lá na festa, fazendo sei lá o que. Por muitos anos ouvi elogios irritantes a respeito desse show que perdi, com direito a pessoas dizendo que se tornaram fãs da banda após essa apresentação.

Gostar de shows (que não sejam sertanejos) no interior é sempre uma luta, quando aparece alguma coisa bacana na região, a galera tenta se juntar e se organizar pra ver. Na adolescência íamos de van, ônibus, carona, o que desse... Nessas muitas aventuras consegui ver quase todas as bandas de rock nacional mais famosas na época (Titãs, Ira!, Ultraje, Engenheiros, Raimundos...), mas com os Paralamas eu tinha uma espécie de maldição, nunca dava pra ir, sempre aparecia algum problema de última hora.

Pelas minhas imprecisas contas, perdi a oportunidade de vê-los, ao menos umas 5 vezes. Pelos mais variados motivos: falta de grana, trabalho, não ter como ou com quem ir...


Até que, depois de 16 anos (de repente me sinto MUITO velho após calcular esse tempo), me deparo com o anúncio de um show dos Paralamas em Araçatuba, cidade em que hoje moro. Garanti meu ingresso assim que pude, iria não só pela vontade de ver a banda ao vivo, mas também para sanar essa minha “dívida” com a banda, deixar tudo acertado (se você pensou que tenho algum tipo de TOC, ok, não te julgo).

Se você, leitor desse blog, não passou os últimos anos em uma caverna ou em alguma galáxia distante nem preciso citar o grave acidente que deixou Herbert Vianna em uma cadeira de rodas e que, felizmente, não abreviou sua carreira.

Chegando a casa de shows, baseado no visual das pessoas, imaginei que por engano tivesse entrado em alguma balada comum da cidade ou algo do tipo, mas ok, ao menos meu conturbado encontro com a banda seria em ~grande estilo~.

A estrutura do salão, que ficou lotado minutos antes do show, contava com um (broxante) espaço reservado com cadeiras na frente do palco, pista comum (onde fiquei) e um camarote que na verdade era uma espécie de mezanino, onde muitas pessoas se amontoavam nas beiradas para ter uma visão melhor do palco. Aliás, algumas pessoas, porque muitas não estavam dando a mínima para o show, vi gente dando as costas para o palco, possivelmente mais preocupados com a bebida (o camarote era open bar) e com a ~azaração~.



A turnê atual é do disco ao vivo lançado pelo Multishow, mas o repertório do show não seguiu a risca esse roteiro. O início, com “Sem Mais Adeus” e “Dos Margaritas”, foi morno, mas bastou soarem os primeiros acordes de “Óculos” para a euforia tomar conta do salão, considerando o jeito blasé da ~galera da balada~, claro. E eu ali, enfim vendo aqueles caras no palco.

Daí em diante, muitos hits certeiros, “O Beco”, “Ela Disse Adeus”, “Uma Brasileira”, “Cuide Bem Do Seu Amor”, essa última acompanhada por um coro considerável do público, bonito! A cada música, se firmava ali a certeza da representatividade dos Paralamas para o rock nacional. Uma banda sempre coesa, corajosa em sua trajetória, relevante até hoje e, o mais importante, foi o grupo que passou pelos maiores percalços em sua história e continua firme.

Baixada um pouco a empolgação inicial comecei a pensar nesses últimos anos, em todas as mudanças que aconteceram. A banda que perdi a chance de ver tempos atrás para muitas pessoas é outra. Evidentemente a dinâmica de palco mudou depois do acidente de Herbert Vianna, mas a força das canções estava ali naquele palco, intacta. E quando consideramos todo o histórico de superação tudo fica ainda mais intenso, mas que fique claro, quando falo em superação e intensidade não me apoio nesse apelo sentimental provocado pela situação de Herbert para idolatrar tudo e qualquer coisa que ele faça, para comprovar basta saber que dois grandes momentos do show foram com canções pós-acidente, a já citada “Cuide Bem Do Seu Amor” e “O Calibre”.


Em “Tendo A Lua” a emoção se intensificou, ao menos considerando meu lado pessoal, que falou mais alto. Além de ser uma das minhas músicas favoritas da banda, veio forte a lembrança de um grande amigo e grande fã dos Paralamas que se foi. “Cartas e fotografias, gente que foi embora...”. As lágrimas teimosas pareciam contrastar com a visão de superação e alegria que o colorido palco nos mostrava.

No palco o trio conta, como de costume, com João Fera nos teclados, Monteiro Jr no sax e Bidu Cordeiro no trombone. Enfileirados na frente do palco ficam os três “Paralamas”: Bi Ribeiro, sempre com sua timidez e aquela cara que te dá vontade de chamá-lo pra tomar umas no boteco; João Barone, dando aula na bateria; e Herbert, com uma expressão juvenil de felicidade, aparentemente emocionado com cada vez que as pessoas cantavam mais alto que ele, tocando muito e cantando bem, nunca foi um grande cantor, mas sempre soube disso e entendeu perfeitamente suas limitações. 




Quase todas as músicas soavam mais encorpadas e com instrumental valorizado ao vivo, seja no peso ou na delicadeza de detalhes. Ironicamente a pior execução da noite foi no momento mais esperado, “Meu Erro”, a música que todos sabiam cantar a letra toda apareceu muito rápida, embolada, confusa e ainda com Herbert tendo dificuldade para chegar no tom.

O bis final foi encerrado com “Vital E Sua Moto”, do primeiro disco da carreira. Parecia um ciclo se fechando, obviamente foi mais (bom) um show entre muitos que a banda fez e continua fazendo, mas pra mim valeu o acerto de contas. Justo nesse momento em que estou ouvindo muito rock nacional anos 80 posso dizer, sim, enfim eu vi um show dos Paralamas Do Sucesso.



domingo, 12 de agosto de 2012

Dia dos pais!

No dia em que os pais são homenageados, duas (boas) músicas que invertem essa lógica. Pais escrevendo para os filhos e ressaltando a alegria da paternidade.

Fábio Góes - E O Amor Que Não Cabe Mais




Eu e a mãe dele 
Somos um sítio à beira mar 
Que eu gosto de chamar 
De minha casa 

Ele e a vida dele 
Eu quero caprichar 
Nas luzes 
No jeito de passar 

Por esse ou aquele bar (olhar) 
Mais encrencado
Aquele susto que vai virar 
Piada um dia 
Eu não sabia 
Que ser pai 
Era sonhar acordado 

Novo amor 
Tanto amor 
E o amor que não cabe mais 

Meu filho 
De cabelo penteado 
Meu filho 
E o amor que não cabe mais



Siba - Bravura E Brilho



O dia acaba de amanhecer
O meu herói vem me despertar
Já preparado pra combater
Os inimigos que vão chegar
Naves de raios destruidores
Dragões gigantes devoradores
Lobos de sopros arrasadores
Ciclopes de olhos assustadores

As naves são banidas dos céus
Cabeças de dragão vão rolar
Os lobos vem lamber os seus pés
Ciclopes já não podem enxergar

Deu pra saber:
Que o meu herói tem poder
De ser veloz e voar
De usar espada e vencer
O meu herói tem bravura e brilho

Mas dá pra ver:
Que quando o sono bater
Ele vai se aproximar
Pedir meu colo e dizer
Que vai parar de lutar
E aí pode até ser
Que o tempo deixe eu contar
Antes dele adormecer
Lendas de heróis pra embalar
Meu filho

terça-feira, 22 de maio de 2012

Céu na Virada Cultural Paulista


O termo excludente, pretensioso e, por vezes, preconceituoso, “para poucos”, parece se encaixar bem a Céu. Do primeiro disco, “CéU”, com o certificado “emepebístico de coolzice” ao dub/reggae de “Vagarosa” até seu trabalho mais recente, “Caravana Sereia Bloom”, que vai do rock Roberto/Caetano “Falta De Ar” à sensualidade hipnótica de “Chegar Em Mim”, Céu parece sedimentar seu público com a sofisticação do seu som e, em alguns momentos, resvala no popular com trilhas de novela etc. E é aí que seu público pode abranger desde fãs de Tulipa Ruiz e Nina Becker até admiradores de Vanessa Da Mata e, por que não,  Maria Gadú.

O show segue essa mesma linha. Na Virada Cultural Paulista, em São José do Rio Preto, a apresentação começou pontualmente a meia noite, com “Teju Na Estrada” antecedendo a entrada da cantora e, enfim, “Falta De Ar”, seguida de “Asfalto E Sal”.

Logo nas primeiras músicas, Céu diz que está tudo muito bonito, mas lamenta pela barreira que deixa o público distante do palco. No entanto, em “Contravento”, música providencialmente mais intensa, e depois de alguma negociação, a grade é retirada pela produção e o público fica literalmente na beira do palco. “agora o show começou” disse Céu, nitidamente empolgada com a nova situação.


O som, muito bem equalizado, é encorpado, mesmo com uma banda enxuta: baixo, guitarra, bateria e scratches. No palco a cantora é contida, por vezes, blasé, mas a alegria em ver sua música cantada por algumas pessoas, que seja, teima em aparecer, dando uma espontaneidade tímida, desajeitada e, por isso mesmo, comovente à apresentação.

O show aconteceu no palco montado na represa de São José Do Rio Preto. O visual era muito bonito, com um chafariz cercado de luzes coloridas ao lado do palco. Mas apesar da beleza da noite, a atmosfera hippie estradeira da apresentação cairia perfeitamente em um fim de tarde, com o “aditivo” correto.

O repertório do show é composto principalmente pelas músicas do disco mais recente da cantora: “Caravana Sereia Bloom”. Do aclamado segundo disco, “Vagarosa”, foram incluídas apenas duas músicas: “Cangote” - com uma roupagem diferente, saindo do reggae e se aproximando do baião -  e “Grains De Beaute”, com um final empolgante.

“Malemolência” e “Rainha”, do primeiro disco, fizeram bonito no setlist, a primeira com uma citação de “Mora Na Filosofia”, de Caetano Veloso, no final. Duas covers frequentemente presentes no repertório dela também chamaram atenção, a latina “Piel Canela” de Eydie Gormey y Trio Los Panchos e, principalmente, “É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo”, de Erasmo Carlos, que arrancou muitos aplausos do público.


A beleza displicente de Céu chega ao nível máximo de sensualidade em “Chegar Em Mim”, a última do disco mais recente e uma das melhores músicas de 2012. Ao vivo, se o ritmo levemente acelerado minimiza parte do encanto, o refrão surge ainda mais pungente. No bis, ainda teve “10 Contados”, do primeiro disco e trilha de novela global.

No decorrer do show muitas pessoas abandonaram o local. Possivelmente por achar a apresentação arrastada ou não conhecer as músicas. Talvez o público heterogêneo da Virada Cultural Paulista ainda não esteja preparado para a música da Céu. Mas com uma performance coerente, corajosa e sem concessões, a cantora mirou exatamente a beira do palco, aqueles que se entregaram às nuances do show. Entre os demais, novos fãs devem ter surgido, mas os que já conheciam e gostavam saíram da represa mais do que satisfeitos...  apaixonados!