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sábado, 21 de março de 2015

Agenda Musical - Março, Abril e Maio


Você já leu aqui que 2015 promete ser um bom ano para shows na nossa região. Pois bem, segue uma listinha de alguns que vão rolar nos próximos três meses em Araçatuba, Rio Preto e Birigui. (clique nos nomes dos eventos para mais informações sobre cada um).


26/03 - Rio Preto - Aeromoças e Tenistas Russas 

27/03 - Rio Preto - Marcelo Jeneci 

28/03 - Birigui - Marcelo Jeneci

11/04 - Araçatuba - Corina Rock (Terra Celta, Dead Fish + bandas locais) 

15/04 - Rio Preto - 1º Festival MPBrasil - Tom Zé 

16/04 - Rio Preto - 1º Festival MPBrasil - Tulipa Ruiz

17/04 - Rio Preto - 1º Festival MPBrasil - Varal de Renda

18/04 - Rio Preto - 1º Festival MPBrasil - Zelia Duncan

18/04 - Araçatuba - Hangar

19/04 - Araçatuba - Araçatuba Rock (6 bandas da região)

21/04 - Rio Preto - Banda do Mar ***

23/04 - Rio Preto - Paulinho Moska

24/04 - Birigui - Wilson Simoninha  

25/04 - Rio Preto - Wilson Simoninha  

25/04 - Araçatuba - Los Primitivos

30/04 - Rio Preto - Trupe Chá de Boldo

23 e 24/05 - Rio Preto - Virada Cultural (Almir Sater, Bicho de Pé, Gabriel O Pensador e O Terno)  

30 e 31/05 - Araçatuba - Virada Cultural (Racionais, Wanderléa, Paula Lima, Ellen Oléria e Selvagens à Procura de Lei)     


*** Embora a produtora Oito Entretenimento já tenha marcado dia, local e começado a venda de ingressos, o show da Banda do Mar ainda não consta na agenda oficial do grupo. A produtora já se manifestou na página do evento garantindo que está confirmado. Esperemos...      


Quem souber de mais shows para contribuir com essa agenda, fique a vontade para comentar. Lembrando que podem aparecer mais nomes na Virada Cultural e tem ainda tem o Circuito Cultural Paulista, que sempre traz coisas legais pra região.

Este blog pretende acompanhar alguns desses shows e postar por aqui. Here we go!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Agenda Musical - Virada Cultural em Araçatuba

Para compensar o post apressado e resumido da semana passada, vai agora um caprichado. Agenda Especial com a Virada Cultural Paulista em Araçatuba. Todas as informações, comentários (ou cornetadas, entenda como quiser), links e uma playlist pra você ir se aquecendo para o fim de semana. Todos os shows serão na praça Getúlio Vargas, como no ano passado.

31/05 

19h - DJ Cláudio Costa


O DJ de black music vai abrir a parte musical da Virada este ano. O set, com charm, R&B, soul e funk combina perfeitamente com o clima da festa, o problema é que fatalmente (ou propositalmente) vai servir apenas como aquecimento para os que resolverem chegar cedo na praça. No domingo, DJ Cláudio Costa volta a se apresentar as 15h. 


19h30 - Talita Rustichelli e Banda Balaio de Vó


Quem acompanha esse blog já sabe muito bem quem é a Talita e que seus show valem a pena. Só de imaginar a alegria dela de apresentar seu repertório próprio (além de uns covers expertos) na Virada Cultural já não tenho dúvidas que vai ser foda. 


21h - Lurdez da Luz


Lurdez da Luz sobe no palco já no "horário nobre" da Virada, a Mc faz uma mistura de rap, com elementos eletrônicos, pegada latina e mais um monte de coisas. Tem carisma e potencial pra segurar a audiência, mesmo fazendo um som que, acredito, que o público do evento não está muito familiarizado.


22h30 - Copacabana Club



O Copacabana Club surgiu em 2007 com status de promessa. O single "Just Do It" chegou a tocar bastante e a banda circulou por diversos festivais brasileiros e gringos. Em 2010 lançou o primeiro disco, "Tropical Splash", mas a impressão que ficou é que a banda nunca saiu da posição de promessa, tanto em crítica quanto em público. De toda forma, o som, um indie rock dançante (e insosso), deve agradar o público, que a essa altura já deve estar em processo acelerado de embebedamento.


0h - Criolo


Criolo talvez seja a atração mais esperada da Virada Cultural em Araçatuba. O rapper/cantor/compositor ganhou o país com seu segundo disco, "Nó Na Orelha", de 2011. Depois disso vem administrando o sucesso com outros poucos lançamentos, como o dvd em parceria com o Emicida (lançado ano passado) e duas músicas inéditas esse ano: "Duas de Cinco" e "Cóccix-ência". Vi um show dele em 2011, no Planeta Terra Festival, em São Paulo (última edição no Playcenter. saudades) e foi incrível, no auge do sucesso, com uma banda afiadíssima e público cantando tudo. Depois disso acabei me afastando um pouco do trabalho do cantor, não sei se por ter escutado muito ou por uma certa birra que peguei do messianismo forçado dele. No palco, porém, a coisa tende a ser boa. Se ao menos chegar perto da apresentação de 2011 e não tiver muito discurso abstrato ("Alguém nos ajude, Lázaro"), já vai valer a pena. 


01/06 (sim, porque enquanto eu não dormir não é outro dia) 

15h30 - Daúde


Olha, devo dizer que, tirando aquela versão de "Pata Pata", não conheço quase nada da Daúde. Dando um google rápido vi que ela tem quatro discos lançados entre 1995 e 2003, e agora, 11 anos depois, lança "Código Daúde", disco base para o seu show atual, tem até uma regravação de "O Vento", do Los Hermanos (na playlist). É bem possível que eu esteja terminando de me recuperar da ressaca nesse horário, mas se rolar, bateu uma curiosidade.


17h - Curumin


Curumin, tá aí um show que eu to louco pra ver e ninguém tá dando moral. O paulistano é baterista de ofício (tocou e toca com meio mundo) mas em seus discos solo ele toca de tudo e canta. O show é focado em seu trabalho mais recente, o ótimo "Arrocha", de 2012. Não se deixe enganar pelo nome do disco, a mistura sonora é bem ampla: soul, funk, reggae e muitas outras coisas. Promete ser um dos grandes shows da Virada em Araçatuba.


18h30 - Asian Dub Fundation


No últimos anos vinha se cumprindo uma tradição na Virada Cultural em Araçatuba, o show de encerramento ser sempre um show mais família, foi assim ano passado com Almir Sater, antes disso Fafá de Belém, Moraes Moreira... Eis que, entrando de voadora nessa tradição, aparece o Asian Dub Fundation, banda inglesa com integrantes de origem asiática. O som é explosivo, mistura rock, reggae, dub, punk, rap, músicas folclóricas e letras engajadas. Estou bem curioso sobre como o público vai receber a banda, acredito que não vai ter meio termo, ou vão simplesmente virar as costas e ir embora ou vão entrar no clima, fazer roda de pogo e tudo o mais. Veremos...

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Agora uma playlist esperta com duas músicas de cada artista que toca na Virada Cultural em Araçatuba. Vai se aquecendo...



sexta-feira, 23 de maio de 2014

Agenda Musical - 24 e 25 de maio

Eis que, enfim, chegou a Virada Cultural Paulista! mais conhecida como um oásis para quem gosta de música aqui no interior. Nesse post, a programação desse final de semana, quando a Virada acontece em São José do Rio Preto, no começo da semana que vem posto a relação de shows de Araçatuba, que recebe o projeto no fim de semana seguinte.

Virada Cultural Paulista - Rio Preto

Palco Externo – Anfiteatro Nelson Castro 
(Anfiteatro do parque da represa) 
Av. Duque de Caxias, s/nº - Jardim Seixas

24/05

19h - DJ Fabio Jota - Panela Musical

"O DJ Fabio Jota apresenta o projeto “Panela Musical”, uma seleção que traz ritmos brasileiros, em especial da cultura popular, remixados com a música eletrônica, reunindo na mesma mixtape sonoridades do Norte e Nordeste, como coco e samba de roda, forró, maracatu, afoxés, carimbó e tecnobrega."

19h30 - Banda Varal de Renda

"Intimista e dançante e com uma essência multicultural, a banda Varal de Renda agrega traços da música experimental, integrada através de uma sonoridade pulsante e delicada. Elementos lúdicos e temas cotidianos são retratados em suas composições originais, assim como em releituras nada previsíveis."

21h - Moxine

"Formado no final de 2008, em São Paulo, o Moxine surgiu de um desejo da guitarrista Mônica Agena de tocar e cantar canções de sua própria autoria. Mônica já fez parte das bandas de artistas como Fernanda Takai, Emicida e Arrigo Barnabé. No entanto, foi no Moxine que a instrumentista pôde exercer toda a sua veia Rock’n’Roll."

22h30 - Thiago Petit


"Com formação em artes cênicas, Thiago Pethit estudou canto e composição em Buenos Aires e Paris. A transição do teatro para a música é definitiva para o desenho de seu estilo musical, que resgata elementos do universo do cabaré alemão dos anos 1930, com foco em autores/compositores como Bertolt Brecht e Kurt Weill"


25/05

0h - Gal Costa


"Uma das grandes divas da MPB, Gal Costa despontou no cenário musical brasileiro nos anos 1970, como musa do Tropicalismo. Seu 30° álbum “Recanto”, traz músicas escritas por um parceiro dessa época, Caetano Veloso, e apresenta uma sonoridade experimental, misturando rock, programações eletrônicas e dub-step à MPB. Tudo isso na voz potente e inconfundível de Gal."

15h30 - Chico Teixeira, Canções Que Aprendi

"Um dos maiores nomes da nova geração da música folk brasileira, o cantor e compositor Chico Teixeira apresenta seu terceiro trabalho “Canções Que Aprendi”, inspirado no folclore brasileiro e suas raízes. Com 19 anos de carreira, Chico Teixeira tem dois álbuns lançados, além de ter acompanhado grandes nomes da música brasileira, como Renato Teixeira e Pena Branca e Xavantinho."

17h - Sandália de Prata

"Considerada uma das melhores bandas de samba rock e gafieira de São Paulo, a Sandália de Prata traz para o palco todo o balanço e energia dos estilos para agitar qualquer pista de dança. O repertório, altamente dançante, conta com novos arranjos para clássicos do samba rock e do samba, além de canções próprias que exalam alegria, ritmo e brasilidade."

18h30 - Otto


"Membro original das bandas Mundo Livre e Chico Science e Nação Zumbi, nas quais conduzia a seção rítmica, o pernambucano Otto mostra dois shows bem distintos na VCP 2014. Em Araraquara e São José do Rio Preto, o músico apresenta o repertório de seu álbum mais recente, “The Moon 1111”, com referências de Pink Floyd, Fela Kuti e Odair José. Em São José dos Campos e Registro, Otto celebra os 40 anos do álbum “Canta Canta, Minha Gente” (1974), de Martinho da Vila, com uma homenagem ao sambista com direção musical de Pupillo, da Nação Zumbi."

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Para os Araçatubenses que não vão acompanhar a Virada em Rio Preto, tem coisa boa em Araçatuba também:

Cigarros Índios


Onde?: Porks Bar - Aguapeí, 1884 
Quando?: 24/05, sábado, 21h 
Quanto?: Homem: R$ 12, consome R$ 5; Mulher: R$ 8, consome R$ 3
Vale?: Sim, pude ver a banda algumas vezes. O repertório vai de Rappa, Maria Rita e Mutantes até Raconteurs, Wolfmother e Red Hot Chilli Peppers, e incrivelmente tudo faz sentido.  
Site: https://www.facebook.com/cigarrosindios?ref=ts&fref=ts

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Virada Cultural Paulista 2013 - Araçatuba


Acompanho a Virada Cultural Paulista desde o início no interior, todos os anos tento assistir o máximo de atrações possíveis em Araçatuba, especialmente os shows. Em 2012, justamente quando a programação da cidade estava ótima (Luiz Melodia, Bidê Ou Balde, Macaco Bong, Ultraje A Rigor, Letuce) eu estava em São José do Rio Preto por motivos de trabalho, onde peguei o ótimo show da Céu e ainda Vanessa Da Mata. Já em 2013, volto para Araçatuba.


Neste ano não pude acompanhar a programação do sábado. Não havia nada que me chamasse atenção, mas se pudesse iria mesmo assim. Os shows foram do cantor araçatubense de pop rock, Brunno Carvalho, Luíza Possi, Negra Li e The “Amy Lives” Project, uma espécie de tributo a Amy Winehouse, capitaneado pelo tecladista que acompanhava a cantora. Obs: caros leitores do blog que acompanharam a programação do sábado, fiquem a vontade para postar impressões na caixa de comentários.

No domingo, a Praça Getúlio Vargas recebeu três shows, do grupo paulistano 5 A Seco, Marcelo Jeneci e Almir Sater. 


5 A Seco


Marcado para as 15h30, o show começou com alguns minutos de atraso. O público ainda começava chegar à praça, havia sol, mas o clima era agradável, tudo colaborando com a tarde de Virada. Os cinco rapazes do 5 A Seco subiram ao palco enquanto uma harmonia gravada ressoava. Antes de pegar os instrumentos eles começaram a cantar “Gargalhadas”, cada integrante cantando um trecho, como em um jogral. O que se viu a partir daí foi uma série de versos e harmonias milimetricamente adocicadas para encantar o coração de jovens universitárias que precisam de um som (pretensamente) cult para se apegar.

Os cinco integrantes do grupo são exímios multi-instrumentistas, se revezam entre seus instrumentos a todo momento. Mas o show, assim como o som da banda é de um bom mocismo entediante, algo como um Teatro Mágico sem máscaras. Até os fãs, que no início pareciam extasiados, no decorrer do show tiveram momentos de dispersão.

Nas melhores partes, a apresentação lembrou Lenine em seus momentos mais experimentais, nas piores (e predominantes) lembrou o já citado Teatro Mágico e Maria Gadú, com quem já tiveram parceria. O lucro da história toda foi eles não terem se atrevido a tocar a versão vergonha alheia de “Ai Se Eu Te Pego” que às vezes tocam em shows. Se quiser ver como é, clique AQUI, mas não diga que não avisei.

Marcelo Jeneci



Logo que cheguei na praça encontrei um amigo que me perguntou: “Que tipo de som esse Jeneci faz?”, respondi: “Alguém no twitter definiu como ‘Balão Mágico para adultos’ e o próprio Jeneci aprovou”. Esse mesmo amigo, agora, deve estar pensando que eu estava sacaneando ou não estava falando coisa com coisa. O motivo? O peso do show. A banda, composta por Richard Ribeiro na bateria, Régis Damasceno no baixo e Estevan Sinkovitz e Ricardo Prado nas guitarras ajudaram mostrar para o público da Virada um Jeneci roqueiro e intenso. Especialmente os dois guitarristas, que fazendo jus ao que o estereótipo sugeria (barbudos, tatuados, grandes), encheram o show de solos e sons pesados.


Jeneci entrou no palco com os olhos pintados, cabelo arrepiado e vestindo um poncho colorido (sim, precisei de uma consultoria de moda para saber que aquilo se chamava poncho). Além dele e da banda já citada havia a Laura Lavieri (aaaahhhh, Laura...[suspiros]). Mesmo com sua timidez indisfarçável, a cantora estava muito sexy em um vestido preto, curto, com as costas a mostra, além do fato de ser uma peça fundamental ao som do grupo com sua voz doce e ao mesmo tempo potente.


As duas primeiras músicas foram de arrepiar, “Tempestade Emocional” e o cover de “Astronauta”, de Roberto Carlos, apareceram intensas, longas, quase épicas. Foi positivamente surpreendente ver uma banda pilhada daquele jeito quando tudo o que se esperava era doçura e sutileza. Houve sim momentos mais líricos, especialmente nas duas músicas mais festejadas pelo público: “Felicidade” e “Pra Sonhar”. Nessa última, com um espetáculo a parte dos pássaros sobrevoando a praça, até a banda ficou um tempo parada olhando para o céu. Tudo isso somado ao sol, que se recolhia naquele momento, contribuiu para o clima bonito que imperava no local.


“Feito Pra Acabar” foi hipnotizante, talvez seja a música em que Jeneci tenha achado o equilíbrio exato entre beleza, intensidade e poesia, especialmente nessa versão ao vivo. Seria muito interessante se isso fosse uma pista dos caminhos que o som do cantor pode trilhar futuramente.

Se a apresentação começou densa e climática, terminou leve e festeira com “Pense Duas Vezes Antes De Esquecer” e “Show De Estrelas”. Jeneci encerrou o setlist dizendo que “valeu muito a pena vir de tão longe” e disse ainda para as pessoas irem mais à praça, caminhar, olhar os pássaros... provavelmente essas palavras vão se perder em meio a euforia do que o público acabara de presenciar, mas a sensação de ter visto um show para se guardar na memória... essa ainda deve perdurar, ao menos todas as vezes que qualquer um ali ver uma revoada de pássaros em um belo entardecer novamente.



Almir Sater


O fechamento da Virada Cultural Paulista ficou por conta do violeiro sul-mato-grossense Almir Sater, bem como a incumbência de fazer o “show família” dessa edição. Fazer as vezes de Moraes Moreira, Fafá de Belém e Luiz Melodia em edições anteriores do evento em Araçatuba. Quando o cantor e compositor subiu no palco encontrou a praça lotada, naquela altura a faixa etária ia, como diz minha avó, “de mamando a caducando”.

Além da viola de Sater, a banda enxuta conta com dois violões, baixo e acordeom. Após a primeira música, um tema instrumental, o show já seguiu com “Trem Do Pantanal”. O som saía cristalino das caixas, todas as nuances dos solos na viola, dos abafados nos violões, tudo era percebido com nitidez. Aqui cabe um elogio aos técnicos, os três shows da tarde estavam com o som impecável, diferente, por exemplo, da virada de 2011, quando Zeca Baleiro sofreu com a má qualidade do áudio

Que Almir Sater já entrou em campo com o jogo ganho é verdade, mas isso não foi motivo para qualquer descuido na apresentação, tudo fluía perfeitamente, quando as pessoas não cantavam junto, dançavam, ou apenas admiravam. A mistura sonora viajou da guarânia ao blues sem perder a identidade.  


Sem muito alarde, o que combina perfeitamente com a simplicidade do cantor, apareceram os primeiros acordes de “Tocando Em Frente”, sem sombra de dúvidas a música mais esperada de 90% do público presente. Mesmo depois de tanto tempo, a beleza dos versos continua intacta. A música terminou e o público permaneceu cantando. “Que bonito!” exclamou o cantor.

O cansaço começava a bater em quem já estava cruzando a sexta hora em pé, mas, em contraponto, o som que vinha do palco acalmava, trazia tranquilidade. E assim a Virada Cultural Paulista 2013 foi encerrada em Araçatuba, com o melhor clima possível. Sempre que uma nova edição termina fica aquele pensamento de como seria bom uma dessas pelo menos a cada três meses... mas já que temos que nos conformar, que venha a edição de 2014.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Céu na Virada Cultural Paulista


O termo excludente, pretensioso e, por vezes, preconceituoso, “para poucos”, parece se encaixar bem a Céu. Do primeiro disco, “CéU”, com o certificado “emepebístico de coolzice” ao dub/reggae de “Vagarosa” até seu trabalho mais recente, “Caravana Sereia Bloom”, que vai do rock Roberto/Caetano “Falta De Ar” à sensualidade hipnótica de “Chegar Em Mim”, Céu parece sedimentar seu público com a sofisticação do seu som e, em alguns momentos, resvala no popular com trilhas de novela etc. E é aí que seu público pode abranger desde fãs de Tulipa Ruiz e Nina Becker até admiradores de Vanessa Da Mata e, por que não,  Maria Gadú.

O show segue essa mesma linha. Na Virada Cultural Paulista, em São José do Rio Preto, a apresentação começou pontualmente a meia noite, com “Teju Na Estrada” antecedendo a entrada da cantora e, enfim, “Falta De Ar”, seguida de “Asfalto E Sal”.

Logo nas primeiras músicas, Céu diz que está tudo muito bonito, mas lamenta pela barreira que deixa o público distante do palco. No entanto, em “Contravento”, música providencialmente mais intensa, e depois de alguma negociação, a grade é retirada pela produção e o público fica literalmente na beira do palco. “agora o show começou” disse Céu, nitidamente empolgada com a nova situação.


O som, muito bem equalizado, é encorpado, mesmo com uma banda enxuta: baixo, guitarra, bateria e scratches. No palco a cantora é contida, por vezes, blasé, mas a alegria em ver sua música cantada por algumas pessoas, que seja, teima em aparecer, dando uma espontaneidade tímida, desajeitada e, por isso mesmo, comovente à apresentação.

O show aconteceu no palco montado na represa de São José Do Rio Preto. O visual era muito bonito, com um chafariz cercado de luzes coloridas ao lado do palco. Mas apesar da beleza da noite, a atmosfera hippie estradeira da apresentação cairia perfeitamente em um fim de tarde, com o “aditivo” correto.

O repertório do show é composto principalmente pelas músicas do disco mais recente da cantora: “Caravana Sereia Bloom”. Do aclamado segundo disco, “Vagarosa”, foram incluídas apenas duas músicas: “Cangote” - com uma roupagem diferente, saindo do reggae e se aproximando do baião -  e “Grains De Beaute”, com um final empolgante.

“Malemolência” e “Rainha”, do primeiro disco, fizeram bonito no setlist, a primeira com uma citação de “Mora Na Filosofia”, de Caetano Veloso, no final. Duas covers frequentemente presentes no repertório dela também chamaram atenção, a latina “Piel Canela” de Eydie Gormey y Trio Los Panchos e, principalmente, “É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo”, de Erasmo Carlos, que arrancou muitos aplausos do público.


A beleza displicente de Céu chega ao nível máximo de sensualidade em “Chegar Em Mim”, a última do disco mais recente e uma das melhores músicas de 2012. Ao vivo, se o ritmo levemente acelerado minimiza parte do encanto, o refrão surge ainda mais pungente. No bis, ainda teve “10 Contados”, do primeiro disco e trilha de novela global.

No decorrer do show muitas pessoas abandonaram o local. Possivelmente por achar a apresentação arrastada ou não conhecer as músicas. Talvez o público heterogêneo da Virada Cultural Paulista ainda não esteja preparado para a música da Céu. Mas com uma performance coerente, corajosa e sem concessões, a cantora mirou exatamente a beira do palco, aqueles que se entregaram às nuances do show. Entre os demais, novos fãs devem ter surgido, mas os que já conheciam e gostavam saíram da represa mais do que satisfeitos...  apaixonados! 


terça-feira, 17 de maio de 2011

Virada Cultural 2011 em Araçatuba, minhas impressões

She’s Lost Control, Canastra e Zeca Baleiro


Minha saga começou com o espetáculo de dança She’s Lost Control, da Cia. Vitrola Quântica. Conforme citei na postagem anterior, meu interesse na apresentação foi a inspiração em Joy Division, já que não tenho grandes afinidades com a dança (em vários sentidos), mas devo dizer que saí do teatro bastante impressionado.


O espetáculo começa com as três atrizes/dançarinas/bailarinas formando uma banda, mesmo, no palco. Baixo, guitarra e bateria fazem cerca de 5 minutos de pós-punk, e só então os movimentos epiléticos começam.

A atmosfera é tensa do início ao fim, com as três (bem bonitas, por sinal) se cruzando em manobras perigosas e descontroladamente perfeitas. Na trilha não toca efetivamente a música título, mas algumas citações assombrosas surgem inesperadamente.

No momento mais tenso, o som se assemelha a algum daqueles pesadelos em que corremos de algo indefinido, mas as pernas não obedecem e não nos tiram do lugar. Uma das garotas começa bater violentamente uma espécie de taco de hockey no chão e em determinado momento as três reiniciam os movimentos descontrolados, mas dessa vez arremessando o bastão uma para a outra. Qualquer erro, que felizmente não aconteceu, traria grandes problemas.

Pelo que pude observar não houve nenhuma baixa no público durante a apresentação. A hipnose coletiva foi bem sucedida. Saí do local bastante perturbado e imaginando como King Night, do Salem, se encaixaria muito bem na trilha atormentada, do espetáculo e da minha cabeça naquele momento.


Quando cheguei na praça Getúlio Vargas, o show do Swing Snake Blues já havia começado. O que posso dizer é que o clima era bom e a banda estava afiada. Um amigo disse que exageraram um pouco nas jam sessions, concordei, ao menos nas poucas músicas que pude acompanhar.


Sem atrasos o Canastra começou sua zorra em cima do palco. Logo de cara já mandaram “Chega de Falsas Promessas”, “Chevete Vermelho” e “Motivo de Chacota”. Nesse momento o público se dividiu. Metade estava ganho. A outra metade reclamava da voz anasalada de Renato Martins, mas ainda assim dançava.

O som saía muito bem definido das caixas e os metais deram um show a parte. Foi divertido, mas fico imaginando como seria insano um show deles em um ambiente fechado e para um público mais específico, no Pub Rock Beer por exemplo. Fica a dica.


Eis que se inicia o show mais esperado da noite, e talvez de toda a Virada: Zeca Baleiro. Devo confessar que a partir daí minhas impressões são um pouco nebulosas, resultado de uma mistura inusitada de (muita) cerveja, licor Amaretto (culpa do Douglas) e de um estômago tão vazio que quase corria uma bola de feno.

Zeca preferiu não arriscar e apostou em um repertório recheado de hits de sua carreira, o que já era previsível e aceitável em vista do público diversificado de uma Virada Cultural.

Estava tudo lá: “Telegrama”, “Lenha”, “Proibida Pra Mim” (urrrgh), “Babylon”, “Bandeira”, “Heavy Metal do Senhor” e tantas outras. O problema foi que, não faço idéia do motivo, o som, que soava tão cristalino no Canastra, estava um pouco embolado. Quando ficava no violão e voz, melhorava. Mas quando entrava a banda toda, tudo se misturava. Deixo claro que pessoas sóbrias concordaram comigo nesse aspecto.

De toda forma, o público pareceu bastante satisfeito. Como postei anteriormente, não sou grande entusiasta do Zeca Baleiro. Apostava no show, mas devido às circunstâncias, me mantenho da forma que estava antes da Virada, ainda no benefício da dúvida.

O Anderson fez um vídeo caprichado do show, um resumão de 30 minutos, confira abaixo. No blog dele também tem vídeos do Canastra e da Fafá de Belém.






Tulipa Ruiz


No domingo me programei apenas para a apresentação da Tulipa Ruiz. O show que mais esperei na virada. E minhas expectativas, que eram bem altas, foram superadas com louvor.

O público, como já esperava, não foi muito numeroso. Houve atraso de uns 25 minutos, mas sem grandes irritações, o clima era bem pacífico, parecendo até que introduzia a primeira música do show, a suave “Efêmera”. Após a banda toda entrar no palco e começar os primeiros acordes da música, Tulipa entrou e foi logo saudar o público.

Quando começou a cantar, o arrepio foi inevitável. Sua voz preenchia o silêncio do imponente teatro com uma delicadeza hipnótica. A banda, competentíssima, fazia sua parte, mas o público parecia não conseguir desgrudar os olhos da simpática vocalista.

A performance de Tulipa encanta por uma série de fatores. O primeiro, óbvio, a voz. Hora suave, hora firme e poderosa. Em alguns momentos romântica, em outros totalmente destrambelhada. O lado teatral da cantora é aplicado na medida, chama atenção, mas não soa forçado. E, por fim, a simpatia. O sorriso que parece não conseguir sair do rosto. Teve jogo de cintura para contar histórias enquanto trocavam seu microfone, no início do show, e para convidar todos a levantarem das cadeiras quando cantou “Brocal Dourado”.

“Pontual” mostrou a faceta mais pop do show, enquanto “Pedrinho” ganhou peso (vídeo abaixo). “Do Amor” foi um dos grandes momentos, bonita de chorar. A voz, na parte final, em que faz vocalizações em falsete, conduziu um final irretocável. A única música de Efêmera, seu primeiro e único disco, que não foi tocada foi “Sushi”. E ainda tiveram versões destruidoras de “Cada Voz” e a cover de Caetano Veloso, “Da Maior Importância”. O final, com “A Ordem Das Árvores”, foi o culpado por todos saírem do teatro cantarolando “Uhuu-Uhuu”.

Uma pena que o teatro não estivesse lotado, longe disso. Tulipa Ruiz faz o tipo de som que faria muito sucesso, se o mundo fosse justo. Mas a carreira da moça está apenas começando, espero ainda vê-la aqui mesmo, em Araçatuba, em um show lotado e com a carreira ainda mais bem-sucedida. De toda forma, independente de público, enfim, “acontece alguma coisa nessa tarde domingo”.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Virada Cultural 2011 em Araçatuba. Minha programação

Nesse final de semana, 14 e 15 de maio, acontece a Virada Cultural Paulista 2011. Pra quem não sabe, a virada é... ah, você sabe, né?! Pois bem, todo ano traço meu roteiro do que vou (ao menos tentar) acompanhar aqui em Araçatuba. Segue abaixo a lista.



She's Lost Control – Cia. Vitrola Quântica

Horário: 20h30
Local: Teatro Municipal Paulo Alcides Jorge




“Inspirado na canção homônima da banda inglesa de pós-punk Joy Division, o espetáculo une elementos da literatura, psicanálise, música e artes plásticas para criar uma experiência diferente nos limites entre o controle e o descontrole, um jogo de tensões de corpos que se organizam e desorganizam, numa festa que nunca termina.”

Nunca gostei muito de espetáculos que envolvam dança, mas quando o tema em questão é a clássica She’s Lost Control, do Joy Division, a coisa muda um pouco de figura. Há grandes chances de não gostar, mas vale a tentativa.








Swing Snake Blues

Horário: 21h
Local: Praça Getúlio Vargas



“Original de Araçatuba, a banda de blues e southern rock incorpora em seu repertório composições de Eric Clapton, B.B.King, The Allman Brothers e outros grandes nomes. Com Lucas "Tchê" Gagliardi na voz, Fernando Antones e Iran Marcius nas guitarras, Raphael Martini no baixo e Leandro Jordison na bateria, a Swing Snake Blues revisita os clássicos desses estilos somando sua energia e tempero.”

Banda local que ainda não consegui pegar nenhum show. Tenho ouvido muitos elogios a respeito dos caras. Tudo bem que em um evento como esse o que eu queria mesmo ver é repertório autoral (não tenho certeza se o SWB tem ou toca sons próprios em shows), mas o som deles parece bom. Se bem que só verei na íntegra se realmente o She’s Lost Control não bater, do contrário pego na metade. Veremos.



Canastra

Horário: 22h30
Local: Praça Getúlio Vargas


“O grupo carioca apresenta ao vivo o repertório do CD "Chega de Falsas Promessas", que traz uma sonoridade tão diversa e inusitada que é capaz de agradar a todas as tribos, ou mesmo a quem não pertence a nenhuma delas. Canções que, de um jeito ou de outro (seja por forma ou conteúdo), têm tudo a ver com todo mundo. Porque, no fundo, todo mundo gosta mesmo é de boa música.”

Apesar dessa descrição babaca acima, o Canastra é uma banda bem bacana. Rodrigo Barba, (ex?) baterista do Los Hermanos comanda as baquetas do grupo. O som tem a ver com o Acabou La Tequila, antiga banda do vocalista e um dos nomes da maior influência no primeiro disco do próprio Los Hermanos, lembrando que Anna Júlia e Primavera eram exceções no álbum. Baseado nas músicas dos dois disco do Canastra “Traz a pessoa Amanda em 3 dias” (2004) e “Chega de falsas promessas” (2007), o show promete ser no mínimo divertido. E como o trabalho mais recente já tem 4 anos, fica a expectativa para que rolem músicas novas no show.






Zeca Baleiro

Horário: 0h
Local: Praça Getúlio Vargas


“O artista faz uma retrospectiva de sua carreira, em um show que reúne sucessos em versões contagiantes. O repertório traz criativas releituras de canções já consagradas como: Salão de Beleza, Telegrama, Você Não Liga Pra Mim, entre outras. Acompanhado de Tuco Marcondes (guitarras, violões e vocais), Fernando Nunes (baixo), Pedro Cunha (teclados e acordeom) e Kuki Stolarski (bateria e percussão).”

Provavelmente é a atração mais aguardada da Virada (ele e a Fafá de Belém). Confesso que não sou grande entusiasta do Zeca Baleiro, lembro de uma ou outra música que acho realmente boa, mas já ouvi falar muito bem de shows dele.








Obs1: 0h30, no teatro da UNIP, tem show de um cover do Queen chamado Bohemian Queen, mas vai ficar pra próxima.

Obs2: 2h30 tem um stand-up comedy do Renato Tortorelli no teatro da UNIP. Vi algumas coisas dele no youtube e achei absolutamente sem graça. Então, só vou se for embalado no fluxo.


Tulipa Ruiz

Horário: 15h
Local: Teatro da UNIP


“Sucesso de público e crítica, o disco de estreia de Tulipa foi considerado um dos melhores do ano pela revista Rolling Stone e um dos melhores da década pela Folha de S. Paulo. O repertório do show é formado pelas canções da cantora e a banda que a acompanha traz importantes instrumentistas da MPB, como Duani Martins, Marcio Arantes, Gustavo Ruiz e Luiz Chagas.”

Conforme postei aqui, Tulipa Ruiz é a responsável pelo melhor disco nacional de 2010, “Efêmera”, o show dela é a atração que aguardo mais ansiosamente na Virada. Pude vê-la de perto no Planeta Terra Festival, ano passado, mas o show não era dela, era do coletivo Novos Paulistas, do qual ela faz parte e protagonizou os melhores momentos da apresentação. Fico um pouco receoso de shows em um teatro grande como o da UNIP, o público tende a ficar mais retraído, o que, de certa forma, contribui com um caráter mais contemplativo, mas coloca em risco momentos mais “pra cima” do repertório. A pouca projeção comercial (especialmente no interior) de Tulipa e o horário do show podem fazer com o público não seja muito numeroso, o que seria uma pena enorme. A única coisa que digo é que, quem perder esse show vai deixar de ver em plena ascensão um dos talentos mais promissores da música brasileira atual, e isso não é pouco.









Obs3: Até faria um esforço para ver o show da Fafá de Belém, 17h na praça, mas tenho um compromisso com a TV: jogo do timão. #VaiCorinthians.

Obs4: Na próxima semana posto aqui minhas impressões gerais sobre a virada.