segunda-feira, 17 de março de 2008

Nó na garganta 3

O fim da música como arte - Violins
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Deu hoje no jornal
As vítimas não têm o que comer
E você vem me falar em música, música, música
A morte tão banal de homens e mulheres na TV
E você quer vir cantar pra mim música, música, música
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Também quero me esconder no refrão e no clichê
Mas não, não tem lugar pra mais não, tenha santa paciência rapaz
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Há música demais
Naõ é preciso que você vá escrever um tanto mais de música, música, música
O mundo vai explodir, na China já não cabe mais chinês
E você quer povoar o ar com música, música, música
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Também quero me esconder no refrão e no clichê
Mas não, não tem lugar pra mais não, tenha santa paciência rapaz
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Procure um pouco mais
Há tanta música pra gente descobrir e ouvir
Dá pra passar o resto da sua vida rústica escutando música
Rústica escutando música
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Também quero me esconder no refrão e no clichê
Mas não, não tem lugar pra mais não, tenha santa paciência rapaz
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Nós não temos nada pra dizer, não temos nada para acrescentar
Nós não temos nada pra dizer, não temos nada para acrescentar
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(Beto Cupertino)
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Letra da música O fim da música como arte, da banda goiana Violins. É a faixa que fecha o quarto álbum do grupo, "A Redenção dos Corpos".
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Certamente, se essa música tivesse sido lançada em 2007, eu a teria citado em meu trabalho de conclusão de curso (jornalismo). Fiz uma audiorreportagem intitulada "Canções de protesto: as outras vozes do Brasil". Abordei em meu estudo canções que carregam crítica social em suas letras, desde o período de regime ditatorial até os dias atuais. em dado momento do meu relatório citei algumas bandas independentes atuais (o Violins estava entre elas) que usam a crítica social de forma criativa em suas letras, e essa música com certeza seria bastante ilustrativa e cabível.

2 comentários:

Diego Assunção disse...

Pra ser sincero, não curti muito a letra não (esse negócio sobre jornal, TV, muita música e tal).

Sei lá, me parece uma versão emburrada e adolescente de uma música do Pablo Milanés, acho que a "La vida no vale nada".

Eduardo disse...

Na verdade a música está dentro de um contexto, ela encerra o álbum, que assim como o anterior deles, traz uma temática de crítica irônica e direta (sim, isso é possível)a sociedade. Essa música meio que fecha o assunto. Talvez "avulsa" não tenha o mesmo efeito, mas no contexto toda a "crueza" da letra é bem relevante.