sábado, 27 de novembro de 2010

Meu Planeta Terra



Nunca tinha ido ao Planeta Terra Festival, e nem a qualquer outro festival desse porte (interior é foda). Dito isso, não tenho qualquer base comparativa, mas o que posso dizer é que gostei muito. Tudo me pareceu funcionar bem, é claro que tive que encarar filas, pequenos tumultos e tudo o mais... mas em uma aglomeração de pessoas dessa o estranho seria se não houvesse nada disso. Ouvi de vários amigos: “fila? É que você não foi no SWU!”. É, acho que optar pelo Terra foi um acerto, claro que não só por isso, mas por questões logísticas de quem mora a 600km da capital. 

O mais legal é que o Planeta Terra parece ter conseguido sua identidade além da programação. A curadoria é ótima, mas o clima do festival parece atrair um público muito além dos fãs das bandas, o que é uma prova da consolidação do projeto. Se tudo correr bem, em 2011, Planeta Terra de novo. Vamos aos shows:



Mombojó


O Mombojó entrou no palco as 16h. Se o sol não castigava tanto, o clima abafado tomava conta. Com os 5 integrantes concentrados no meio do grande palco do Terra, o grupo já mandou, logo de cara “A Missa” e “Faaca”, do primeiro e melhor disco deles, Nada de Novo (2004). Uma característica marcante do show dos recifenses é que as músicas, mesmo as mais calmas, ganham um peso estrondoso ao vivo. Bonito de se ver. Ainda mais aliado ao freak-show-epilético do vocalista Felipe S., que pulou diversas vezes do palco para as caixas em baixo dele, até que um membro da produção o alertou: “cuidado que vai cair”. 

Algumas canções, mais lentas, deram uma quebra no meio da apresentação, mas, mesmo assim, foram cantadas em coro pelos fãs, que se não eram muitos naquele horário, aproveitavam o privilégio de poder pular e dançar sem esbarrar em ninguém. No final, a apresentação retomou a força com “Papapa” e uma versão pesadíssima de “Deixe-se Acreditar”. Após o show, o vocalista andou um pouco pelo Playcenter, mas logo foi embora, afinal, logo mais o Del Rey (projeto do Mombojó + China com músicas do Roberto Carlos) teria um de seus concorridos shows em São Paulo. O Planeta Terra começou bem.


Novos Paulistas


Tulipa Tuiz, Tatá Aeroplano, Thiago Petit, Tiê e Dudu Tsuda formam o projeto Novos Paulistas. Quando começaram a tocar, o número de pessoas já era bem maior, ou como disse Tulipa: “as cabecinhas estão aumentando!”. Os 5 integrantes são talentosos, mas o projeto em si ainda carece de mais corpo, pelo menos para encarar festivais desse porte, talvez em um teatro ou em outro ambiente mais intimista as sutilezas das composições possam ser apreciadas de melhor forma. 

Como no futebol, quando um time não convence no esquema tático, resta apostar nos talentos individuais, e foi o que aconteceu. Com Tulipa (muito aplaudida) em “Efêmera” e Tatá Aeroplano em “Cama”, o show teve seus melhores momentos, além de “Mapa-mundi” de Thiago Petit, que ganhou peso ao vivo e “Pedrinho” de Tulipa, já no fim do show. Nas músicas da Tiê (com uma doçura provocante, trajando apenas uma camisetona da Tina Turner) o bocejo era quase incontrolável, como um vírus se espalhando ao redor. Até as serpentinas que atiravam sobre o público pareciam desajeitadas. Sobre maldades alheias, ouvi alguém dizer sobre Thiago Petit: “cada um tem o Beirut que merece”. De toda forma, Novos Paulistas é um projeto para se acompanhar de perto.


Holger


O Holger não vi inteiro, mas me arrependi, o clima era bom. “Beaver” foi insana, estava filmando, mas tive que parar para dançar, ou seja lá o que fosse aquilo que eu fazia. A zorra no palco foi a esperada. Roadies tiveram trabalho com pedestais desmontando, bateria saindo do lugar, fora o banho de cerveja que os integrantes deram neles mesmos e nos instrumentos. A satisfação deles em tocar no festival era nítida e contribuiu para que o show não virasse uma grande piada interna, como alguns temiam.


Of Montreal



Confesso que conhecia pouquíssimo o Of Montreal, apenas o disco mais recente, False Priest (2010) e o Hissing Fauna, Are You The Destroyer (2007), e ainda de forma superficial. Essa é para quem adora rótulos: o show foi um circo-de-solei-dos-horrores-indie-funk. Diversos personagens esquisitíssimos fantasiados tomavam conta do palco em vários momentos da apresentação, um até voou nos braços da galera. 

Kevin Barnes, vocal e cabeça do grupo é um bom frontman ou front-sei-lá-oque. Canta bem, segura as pontas na guitarra e é performático até o limite (muitas vezes além) do ridículo. Ao menos para mim, o show funcionou bem, saí com vontade de ouvir melhor o som deles.


Mika


Outro que eu também não conhecia muita coisa, apenas os hits, que já achava bem interessantes. Logo de início já mandou “Relax (Take It Easy)”. O público do libanês era facilmente identificável, visual extravagante e comportamento afetado, é claro que isso é uma generalização, mas que parecia uma tropa uniformizada de forma escandalosa, ah parecia... 

Fiquei surpreso com o enorme número de pessoas que cantava todas as músicas com letras decoradas, não sabia que ele era tão bombado assim. Detalhe, cruzei com Leandra Leal e Mariana Ximenes fritando de dançar no inicio do show, dei uma trombada que quase derrubei a Leandra, sorry Lê. 

O show é de primeira, o cara é um showman (man?!) nato, daqueles que correm, fazem pose, sobem no piano, interagem com todos os integrantes da banda e tudo o mais. Além de cantar muito, mas muito mesmo, tanto no gogó quanto nos falsetes, nítidos e potentes. Em dado momento, quando dançarinos fantasiados entraram no palco, a amiga Karina (que foi uma ótima companhia em todo o festival) brincou que seriam os mesmos do Of Montreal. Na hora já pensei em Mika e Kevin Barnes fazendo uma seletiva juntos e combinando de levar os mesmos para baratear o custo, cena interessante! 

O final, com “Grace Kelly”, “We Are Golden” e “Lollipop” foi matador, ou melhor, foi super, ou mara, para combinar melhor com o clima. Em “Lollipop”, com todos os integrantes tocando tambores no início, alguém gritou, “vai lá, timbalada”. No final, ficou a certeza de que, as músicas são boas, não ótimas, mas o show é excelente, se os discos vierem mais inspirados daqui pra frente, Mika tem tudo para ser uma megaestrela pop. 


Phoenix


O primeiro show com atraso do festival, 15 minutos. Foi um pouco surpreendente para mim, ver a comoção de muitas pessoas com a proximidade do início do show. Logo de cara, “Lisztomania”, o grande hit da banda, cantada a plenos pulmões. E logo na segunda música, a ótima “Lasso”, o vocalista Thomas Mars já desce do palco, sobe na grade e cola na galera.

“Long Distance Call”, do disco anterior, It’s Never Been Like That (2006), fez bonito, considerando que toda a excitação em torno do Phoenix, ou boa parte dela, é por conta do Wolfgang Amadeus Phoenix (2009), seu disco mais recente. Em seguida, “Fences”, “Girlfriend” e “Armistice” seguraram bem a onda. A iluminação do palco era hipnotizante em alguns momentos e frenética em outros, e quase todas as músicas ganharam finais encorpados, cheios de camadas sonoras. A banda é bem animada no palco, tanto os integrantes fixos, quanto o baterista e o percussionista. 

Até que chega “Love Like a Sunset part I e II”, bonita em estúdio e só. Dá um banho de água fria no show, que vinha empolgante. A jam interminável ainda teve Mars deitado na caixa de retorno com os olhos fechados, pura pose. Esse momento como um todo deveria ser arrancado da memória de quem viu o show. O pique ficou comprometido depois disso, ainda mais com as músicas seguinte, boas, mas não o suficiente para levantar o pessoal do coma. A

Então, eis que surge a salvadora “1901” em versão arrasadora, com um final catártico em que Thomas Mars foi carregado pelo público até uma torre no meio da galera, nesse momento só se via o cabo vermelho neon do microfone, depois, voltou ao palco e terminou a música. Bem bonito e marcante. Ah e a participação do Daft Punk era só boato mesmo.


Pavement


Mexendo fortemente com a nostalgia anos 90, o Pavement já entrou destruindo corações com “Gold Soundz”. O detalhe é que antes do início de cada show rolava uma vinheta dos patrocinadores nos telões, a banda entrou antes do vídeo terminar, o que gerou alguns segundos de constrangimento já que o Pavement estava posicionado e não podia começar a tocar, mas tudo bem Planeta Terra, sem maiores ressentimentos. 

O ar desinteressado de Stephen Malkmus não é novidade para ninguém, ou seja, ninguém esperava o cabeça do grupo todo saltitante e risonho. A típica atitude (ou a falta dela), entretanto, aliada ao som embolado e com instrumental cobrindo a voz em alguns momentos (inclusive os gritos do percussionista Bob Nastanovich) comprometeu um pouco a apresentação. 

Por outro lado, um show que inicia com “Gold Soundz”, termina com “Here” e passa por uma penca de pérolas como “Cut Your Hair”, “Stop Breathing”, “Range Life” e outras, já começa com o jogo ganho. Resumindo: ao que parece, o show do Pavement é sempre ruim, mas é sempre bom, simples assim.


MINHA RESENHA SOBRE O SHOW DO SMASHING PUMPKINS, AQUI

sábado, 30 de outubro de 2010

Araçatuba e a "Família Simonal"


Quinta-feira (28), na parte da tarde, eu no meu serviço...


Eu: você viu? vai ter aquele esquema do Sesc na praça hoje!

Amiga: que esquema?

Eu: show de Max de Castro e Simoninha, homenageando o, falecido, pai deles Wilson Simonal!

Amiga: aff, nunca ouvi falar de nenhum dos três...


E assim Araçatuba esperava ansiosamente o show Baile do Simonal. Fiquei na dúvida se ia ou não. Conheço pouco da carreira do cara, apenas as mais famosas, mesmo que estas sejam mais de 10, talvez. E os trabalhos dos seus dois filhos nunca me despertaram maiores interesses, mas vendo alguns vídeos no You Tube acabei sendo convencido, além do que, era na praça, gratuito.

A ironia já começou no local do show, Praça Getúlio Vargas, ao lado de uma delegacia. Só faltava a praça se chamar Emílio Garrastazu Médici. O palco foi montado na quadra de basquete, a frente de um halfpipe e próximo a alguns aparelhos de ginástica destinados a terceira idade. Agora imagine o público específico, ou tribo (se bem que a moda agora é chamar de Família), de cada um desses lugares da praça, reunido para assistir o show! e ainda somado a neo-hippies, curiosos e bêbados de plantão. Ah, também tinha alguns fãs do Simonal.

Toda essa pluralidade do público araçatubense em atrações culturais, especialmente gratuitas, entretanto, não assusta mais. Já estamos acostumados. Eu mesmo contribui com o samba do crioulo doido (sem trocadilho), pois trajava uma camiseta do Them Crooked Vultures, absolutamente em sintonia com o espetáculo em questão.

Algumas cadeiras foram colocadas a frente do palco, possivelmente para a “família terceira idade”, que deve ter saído da malhação e ido ao show. O fato curioso da noite é que não avistei emos ou garotos coloridos, devo estar ficando míope, pois eles estão em todos os lugares.

Quando cheguei, o show já havia começado. Posicionei-me ao fundo da quadra, com uma boa visão do palco. Na frente, o público prestava bastante atenção, um pouco mais atrás parecia feira livre, rodinhas de pessoas conversando e tomando cerveja, mal lembrando que acontecia uma apresentação.

As musicas conhecidas, até para quem jurava que não conhecia nenhuma, como “Meu Limão, Meu Limoeiro”, fizeram quase todo mundo cantar. Empolgado com a interação, Max de Castro tentou montar um “acorde perfeito”, como ele mesmo disse, incitando três partes da platéia (esquerda, direita e fundão) a cada uma vocalizar, ao mesmo tempo, uma nota regida por ele. Resultado: com o acorde formado não dava para tocar nem Surfin’ Bird com o Ramones.



Teve também o momento de “lalalalalalalaa”, “só os homens”, “só as mulheres”... só não foi constrangedor, com a pífia resposta do público, porque na volta da música (que não me lembro qual é, afinal todas tinham “lalalalalala”) a banda fez um crescendo sensacional.

Talita, amiga e fã do Simonal, que encontrei por lá, passou boa parte do show me zoando, dizendo que eu parecia uma estátua e não dançava, ao contrário de muitos ali. Mas em dado momento da apresentação, assisti de camarote um espetáculo a parte, um casal dançando exatamente na minha frente. O homem, aparentemente com umas cervejas a mais na cabeça, era quem conduzia a dança, no melhor estilo “dance como se ninguém estivesse olhando”, tamanha era a falta de entendimento entre os dois, mas foi bonito (e, especialmente engraçado) de se ver. Estavam felizes.

Antes de tocar “Aqui é o País do Futebol” Simoninha começou a conversar com o público, primeiro perguntando sobre os grandes times de São Paulo, aquele velho artifício que sempre dá certo. Depois perguntou se Araçatuba tinha time de futebol, aí a confusão se estabeleceu na plateia. Alguns ensaiavam falar do Tigrão (Atlético Araçatuba), outros falavam que a cidade não tinha time, já que a equipe citada está com a situação indefinida, até onde eu sei. Em meio a essa dúvida, a secretária de esportes da cidade berrava insanamente “Basquete Clube e Volei Futuro”. Não preciso dizer que essas equipes não são de futebol. Lembrando que o time de vôlei é nova mania entre os araçatubenses, devido aos bons resultados recentes e às contratações de medalhões do vôlei nacional.

Enquanto o impasse futebolístico corria, ouvi um grito vindo do fundo: “hey, música vai”. O que me lembrou do tempo em que fazia cursinho. Sempre que algum professor se desviava do assunto alguém gritava “hey, aula vai”. E normalmente eram os alunos filhinhos de papai, que mal sabiam o que acontecia em sala.

Outro momento “falando com as paredes” foi quando Max de Castro, ao iniciar uma música, disse empolgado: “Quem quiser levantar da cadeira, tá liberado”. Prontamente uma mulher que filmava o show com um celular, na beira do palco, fez um sinal quase que suplicante para que o pessoal ficasse de pé. Resultado: “vshhh vshhh” (bola de feno passando).

Antes que algum leitor diga: “hey, música vai”, digo que o show foi bastante interessante. Bom repertório e banda afiadíssima. O baixista, que se não me engano, se chama Robinho, é um monstro. Simoninha e Max de Castro também não fazem feio, mesmo não sendo cantores excelentes são bons de palco e têm carisma.

Estava tudo lá: Sá Marina, Nem Vem Que Não Tem, Tributo a Martin Luther King, Vesti Azul, Está Chegando a Hora e por aí vai... resumindo: o show foi ótimo, mas o público araçatubense continua sendo o grande destaque. Se bem que, acho que o Simonal adoraria essa zona toda.

Fotos: Talita Rustichelli

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Painel de Discos - Primeiro Semestre 2010


Obviamente não estão no painel todos os lançamentos de 2010, mas destaquei 61 que considero relevantes (uns mais, outros menos), alguns são EPs. Quem quiser se arriscar a adivinhar as capas, fique a vontade. Aceito sugestões para uma próxima montagem dessa.

Ps: Clique na imagem que ela fica um pouco maior.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Faixa a Faixa: Efêmera - Tulipa Ruiz


Artista: Tulipa Ruiz
De Onde: São Paulo, Brasil
Banda base: Tulipa Ruiz (Vocal), Gustavo Ruiz (Guitarra), Luiz Chagas (Guitarra), Márcio Arantes (Baixo), Duani (Bateria) e Stéphane San Juan (Percussão)
Site: tuliparuiz.blogspot.com - twitter.com/tuliparuiz - www.myspace.com.br/tuliparuiz

Disco: Tulipa Ruiz
Ano: 2010
Produtor: Gustavo Ruiz


01 - Efêmera (3’45”): Abre o disco suavemente. A voz de Tulipa, com leveza e agudos precisos, já impressiona quando entra na música. No meio da canção metais fazem belas harmonias, remetendo até ao Los Hermanos, do Ventura. Na verdade, a referência tanto de um como de outro, é mais a sambas antigos, mas também vale a conexão atual. Além da voz, os arranjos sutis e cheios de detalhes chamam atenção com uma dinâmica certeira. O coro é feito pelo trio Negresko Sis, formado por Anelis Assumpção, Céu e Thalma de Freitas. Bela abertura de disco já ganha pontos por todo o resto.

02 – Pontual (2’59”): Levada bem diferente da anterior, mas a sutileza dos arranjos permanece intacta. A bateria, de ritmo quebrado em alguns momentos, muda de andamento várias vezes, mas sem descaracterizar a música. A letra, levemente debochada, fala de um atraso para uma sessão de cinema.

03 – Do Amor (4’31”): Começa com voz, violão e percussão. E a voz mais uma vez encanta com uma linda linha melódica. Os outros instrumentos vão entrando gradativamente, começando com um piano. A banda entra toda no momento que Tulipa explora belos agudos em uma vocalização que vai até o fim da música, quando os instrumentos vão sumindo também gradativamente. Uma das músicas mais emocionantes do disco.

04 – Pedrinho (4’02”): A letra narra uma estranha relação com o Pedrinho: “Pedrinho parece comigo, mas bem resolvido com sua nudez”,”É meu amigo querido e até dormiu comigo no mesmo lençol”. O refrão, com melodia descendente diz com certa tensão: “Pedro esta cantiga não fala de amor/Mas querido, esse som acho que me instigou”. Tensão que aumenta no final, quando Tulipa faz vocalizações enquanto o coro, composto por Leo Cavalcanti, Juliana Kehl, Mariana Aydar, Tatá Aeroplano e Tiê, repete o refrão de forma quase autoritária, como se advertindo o personagem da canção.

05 – A Ordem Das Árvores (3’19”): Representante “udigrúdi” do disco, impossível não lembrar de Gal Costa. Até o timbre dos instrumentos remetem ao desbunde brasileiro da década de 70, mas não pense em um pastiche barato, tudo tem seu devido charme e ligação com as tendência da “nova MPB” (!?).

06 – Sushi (4’11”): A música é marcada, na primeira metade, por constantes breques no instrumental, o que garante a tensão da música, mas até nesse momentos é nítida a imagem da Tulipa cantando com a naturalidade de quem vai ao supermercado fazer compras. A música termina com mais uma bela vocalização emoldurada pelos arranjos certeiros de Gustavo Ruiz.

07 – Brocal Dourado (3’27”): Bateria e baixo bem marcados, o baixo, tocado por Kassin, aliás salta aos ouvidos inevitavelmente. A música segue truncada e “abre” no refrão. Além da participação de Kassin, o coro é feito por Iara Rennó, Thalma de Freitas e Anelis Assumpção.

08 – Aqui (4’23”): Instrumental fragmentado que encontra unidade na linha vocal. Apesar de ser uma das músicas mais longas do disco, a letra é curta, mas sem muitas repetições, e sim bons momentos instrumentais.

09 – Às Vezes (4’06”): Uma das músicas mais festejadas do disco. Também a mais pop, com um que da ingenuidade charmosa dos anos 80, a junção da letra (do pai da cantora e guitarrista da banda, Luiz Chagas) com a melodia operam um pequeno milagre, fazem com que a música – extremamente urbana – tenha um ar quase bucólico.

10 – Da Menina (3’41”): Outra de letra simples e curta, narra com delicadeza uma menina se tornando mulher.

11 – Só Sei Dançar Com Você (3’41): Harmonia e instrumentação claustrofóbicos, a tensão aumenta até dar espaço ao belo refrão. A participação de Zé Pi (Druques) na guitarra e dividindo os vocais com Tulipa é muito boa. A conexão das vozes nos dá a ideia exatamente da dança esquizofrênica descrita na letra. Não tinha maneira melhor de terminar o disco.


Só Sei Dançar Com Você
(com o arranjo bem diferente, mas ainda assim muito bom)

sábado, 26 de junho de 2010

Faixa a Faixa: Das Kapital - Capital Inicial


Banda: Capital Inicial
De Onde: Brasília, Brasil
Formação: Dinho Ouro Preto (Vocal), Yves Passarel (Guitarra), Flávio Lemos (Baixo) e Fê Lemos (Bateria)
Discos que já lançou: Capital Inicial (1986), Independência (1987), Você Não Precisa Entender (1988), Todos os Lados (1990), Eletricidade (1991), Rua 47 (1995), Capital Inicial Ao Vivo (1996), Atrás dos Olhos (1998), Acústico MTV (2000), Rosas e Vinho Tinto (2002), Gigante! (2004), MTV Especial: Aborto Elétrico (2005), Eu Nunca Disse Adeus (2007), Capital Inicial Ao Vivo Multishow (2008)
Site: http://www.capitalinicial.com.br/ - twitter.com/capitalinicial - www.myspace.com.br/capitalinicial

Disco: Das Kapital
Ano: 2010
Produtor: David Corcos (Marcelo D2, Seu Jorge, Planet Hemp)


01 - Ressureição (3’56”):
Irônico o título da faixa que abre o disco, considerando o grave acidente que Dinho Ouro Preto sofreu em 2009. Música intensa, sem a “cara” dos muitos hits da banda, talvez pela letra – não tão explícita como de costume – ou pela falta de apelo maior no refrão. Parceria de Dinho com o eterno “parceiro desconhecido” Alvin L., que a propósito, assina junto com Dinho 9 músicas do álbum: Ressurreição, Como Se Sente, Eu Quero Ser Como Você, A Menina Que Não Tem Nada, Não Sei Porque, Melhor, Eu Sei Quem Eu Sou, Marte Em Capricórnio e Vivendo e Aprendendo.

02 – Depois Da Meia Noite (3’20”): A primeira música de trabalho segue a cartilha dos sucessos do Capital Inicial pós anos 80: pop rock simples, refrão fácil e letra óbvia, nesse caso até infantil: “Dias de verão/e noites de inverno/a cidade as vezes, é um inferno/criei então, um universo/onde tudo era perfeito/e feito prá nós dois”. Sucesso garantido.

03 – Como Se Sente (2’54”): Começa tensa e discreta, mas logo depois se transforma em um típico rock dançante do Killers, ou será do New Order? A letra, estilo autoajuda, é um desfile de frases feitas, como “tudo tem preço”, “a vida ensina”, “aprenda a lição”, “nunca diga nunca mais” e “o mundo dá voltas”.

04 – Eu Quero Ser Como Você (3’02”): É a primeira balada do disco. Começa no piano que, apesar da banda entrar logo, conduz a música toda. O “eu” do título, diz na letra que se sente perdido e quer ser feliz e inabalável como o “você”, provavelmente uma garota, talvez um amigo. Nada que fuja muito do habitual.

05 – A Menina Que Não Tem Nada (2’46”): Começa como candidata a hit. A sequência de acordes é marcante, lembra inclusive a base de O Passageiro, versão do Capital para The Passenger de Iggy Pop. O refrão de A Menina..., entretanto, é fraco e coloca a perder o potencial pop da música.

06 – Não Sei Porque (3’13”): Boa balada levada no violão, mas o solo de guitarra soa muito óbvio, tanto na escolha das notas quanto no timbre. A melodia vocal traz algo de Skank.

07 – Melhor (2’17”): Com pouco mais de 2 minutos, a música é rápida e eficiente. Em alguns momentos surgem uns teclados que remetem novamente ao Killers. Mesmo a referência soando muito artificial, é algo válido por fugir um pouco ao padrão.

08 – Vamos Comemorar (3’44”): Mais uma balada. Vai crescendo com mudanças bruscas na harmonia até culminar em um refrão dramático, onde Dinho se arrisca em tons mais altos do que costuma cantar. Ainda há espaço para uma mudança de andamento no final, acelerando a música.

09 – Eu Sei Quem Eu Sou (3’51”): A letra sugere cenários fantásticos, algo como Alice No País Das Maravilhas: “Ela imagina flores/com cores que não existem em nenhum jardim/tem amigos imaginários/que prá toda pergunta/respondem sim”. Conta com uma série de mudanças de andamento.

10 – Marte Em Capricórnio (2’58”): Rock direto com melodia quase inteira em uma nota só, com direito a berros no refrão. A mais “pesada” do disco.

11 – Vivendo E Aprendendo (3’00): Clima de fim de álbum, ou fim de show. Começa com violão e palmas, que acompanham quase toda a música. Pensando bem, o clima está mais para rodinha de violão.


Depois Da Meia Noite

terça-feira, 22 de junho de 2010

Faixa a Faixa: The Drums


Banda: The Drums
De Onde: Nova York, Estados Unidos
Formação: Jonathan Pierce (Vocal), Jacob Graham (Guitarra), Adam Kessler (Guitarra) e Connor Hanwick (Bateria)
O que já lançou: Summertime EP (2009)
Site: www.thedrums.com - twitter.com/thedrumsforever - myspace.com/thedrumsforever

Disco: The Drums
Ano: 2010
Produtor: Jonathan Pierce


01 - Best Friend (3’29”):
As primeiras notas comprovam que não haverá surpresas desagradáveis, é o mesmo Drums do ótimo EP lançado em 2009. A música vai crescendo até chegar no grudento e ótimo refrão. É algo como um pós-punk desleixado com um vocalista de voz desleixada, ou seja, cool.

02 - Me And The Moon (3’15”): O início, na bateria, da a impressão que o Robert Smith, da fase inicial do Cure, vai entrar cantando a qualquer momento, mas quando entra a voz, a música remete a Strokes. E mais uma vez, um refrão ótimo.

03 - Let’s Go Surfing (2’58”): Essa deliciosa faixa já é conhecida, presente no EP citado. Posso falar que o refrão é ótimo novamente?

04 - Book Of Stories (3’40”): Segue o esquema das anteriores. Melodias simples, crescentes e bonitas.

05 - Skippin’ Town (3’24”): O início começa dar sinais de que as músicas são todas muito parecidas, mas quando entra o refrão você pensa: “quem se importa?”, coros e palmas ajudam o instrumental minimalista, escoltado por um teclado tipicamente gótico/pós-punk.

06 - Forever And Ever Amen (4’30”): É o primeiro single e a música mais longa do disco. A melodia é contagiante, uma das melhores do album.

07 - Down By The Water (3’28”): Também presente no EP, é a faixa mais lenta do disco, na verdade é a única lenta, lentíssima por sinal. A bateria se limita ao bumbo e (provavelmente) a uma meia lua, no fim também entra uma caixa desfigurada por efeitos. Tudo isso somado a um vocal em tom alto e desesperado.

08 – It Will All End In Tears (3’47”): A música é boa, mas aqui os timbres e o esquemão melancólico começam a dar sinais de cansaço.

09 – We Tried (3’48”): Aqui a melodia segue por linhas um pouco diferenciadas do resto do álbum, mas no geral a fórmula é a mesma.

10 – I Need Fun In My Life (3’29”): O título diz tudo sobre essa música melancólica e desleixada, mas bonita.

11 – I’ll Never Drop My Sword (3’50): Começa no violão, novidade! Mas apesar do instrumento, atípico no disco, conduzir quase toda a música, o andamento segue como as anteriores. Aqui, com violão, guitarras, teclado, bateria e coro (a banda usa uma guitarra no lugar do baixo) o som ganha mais corpo, mas não há um refrão forte como nas primeiras faixas.

12 – The Future (4’09”): Música com um que enigmático. Não sei exatamente o porque, mas me lembrou o encerramento do OK Computer, com The Tourist. Coroa muito bem a ótima estréia do The Drums.


Forever And Ever Amen

terça-feira, 25 de maio de 2010

Impressões sobre a Virada Cultural em Araçatuba

Acompanhei 5 atrações na Virada Cultural em Araçatuba: Beatles 4 Ever (parcialmente), As Noivas de Nelson, Badi Assad, Multiplex (parcialmente) e La Putanesca. Ou seja, consegui cumprir o roteiro descrito no post anterior. Seguem minhas impressões.


Beatles 4 Ever


Bealtes 4 Ever na Praça Getúlio Vargas

Como citei acima, acompanhei parcialmente o show da banda cover dos Beatles, creio que ví umas 10 músicas. A caracterização é bastante cuidadosa, com direito a cortes de cabelo (ou perucas, não sei) e instrumentos semelhantes aos originais, inclusive o baixista também era canhoto, como o Paul McCartney. Tanto o repertório quanto o visual era inspirado, principalmente, na fase inicial dos Beatles, o período especialmente ie ie ie dos caras.

Covers dos Beatles brotam da terra como pragas, o que, consequentemente, aumenta a cobrança da audiência, e no caso do Beatles 4 Ever não houve um diferencial convincente. A animação e as conversas entre os integrantes (que se referiam um ao outro com o nome dos Fab four originais) seguiam em marcha lenta e recheada de frases feitas: "quero ver vocês dançarem muito agora", antes de tocar Twist and Shout em um andamento lentíssimo.
A apresentação serviu mais para os curiosos, sempre presentes em grande número em eventos como esse, porque para fãs do quarteto de Liverpool foi apenas mais do mesmo.


As Noivas de Nelson


Grupo Cia. Paulista de Artes

A peça, baseada em 5 contos de Nelson Rodrigues, lotou o Teatro da UNIP, o que acredito que tenha contribuído para o atraso de cerca de 30 minutos para o início. O bom elenco e a força do texto garantiram a apresentação. Embora a montagem tenha dado um pouco mais de ênfase ao lado caricato, em detrimento da "podridão" característica das histórias de Nelson Rodrigues, o equilíbrio não foi prejudicado seriamente e o resultado foi muito bom.


Badi Assad


A cantora envolveu o numeroso público

Com a programação já atrasada, Badi demorou a subir no palco do Teatro da UNIP, novamente lotado. O show foi apenas voz e violão, mas não pense no esquemão barzinho, longe disso. O repertório, de músicas autorais e covers, é repleto de descontruções e experimentalismo. Talvez os únicos momentos mais humm... acessíveis, foram na versão de "A Primeira Vista", de Chico Cézar, popularizada com Daniela Mercury, e em duas canções feitas para a filha da cantora, momento em que conseguiu boa interação com o público, apostando na letra infantil contrastando com harmonias dissonantes, me lembrou "Ciranda da Bailarina" na essência.

A técnica de percussão vocal feita simultaneamente a vocalizações impressionou, e tudo isso amparado por harmonias complexas que muitas vezes emulavam o som de dois violões ao mesmo tempo, sei que há um nome para essa técnica, só não me recordo agora.

Ainda teve no repertório uma versão de "Sweet Dreams" do Eurythmics, insana e bonita, com malabarismo vocais impressionantes e belos no final. "Zoar" outra parceria com Chico Cézar também foi um ponto alto da apresentação. No final, antes do bis, "Vacilão", de Zeca Pagodinho, que a cantora caracterizou como um "pagoblues", fez bonito também.

Resumindo, um belo show que manteve um teatro lotado em absoluto silêncio, coisa rara por essas bandas.


Multiplex


A banda certa no lugar errado
Uma grande bola fora da organização, não que a banda (pegada eletro-glam-rock) seja ruim, mas o repertório, extremamente dançante, não teve absolutamente nenhum sentido no ambiente do teatro. Cheguei a pensar que pudesse dar certo com uma eletrônica mais, digamos, contemplativa, mas o tipo de som dos caras é pancadão pra pular mesmo.

A cena chegava a ser patética, o vocalista, afetadíssimo, até um pouco fake, rolando no chão e pulando desengonçado diante de uma plateia estática, sentada, sem entender bulhufas do que acontecia no palco. E para piorar, o som, composto por baixo, guitarra e programações eletrônicas ativadas pelo baixista em um notebook no início de cada música, estava muito embolado, dificultando até o entendimento das letras, que talvez pudessem ser o único atrativo diante da impossibilidade de dançar.

O único espaço em Araçatuba que talvez pudesse comportar esse show seria o Pub Rock Beer, porque em local aberto não sei se teria efeito também.


La Putanesca, Baixarias de Alto Nível - Ângela Dip

Certamente uma das atrações mais concorridas da Virada Cultural em Araçatuba. A fila era absurdamente grande, lembrando que eram duas da manhã e o frio castigava os desagasalhados. Dizem que quanto maior a árvore maior o tombo, aqui se aplica bem. O Stand Up Comedy, que basicamente falava de sexualidade e situações do universo feminino, começou bem, com humor ácido, piadas de humor negro e tiradas "mal-humoradas" certeiras, mas passados os 15 minutos iniciais a coisa desandou.

Piadas curtas e infâmes se sucediam frenéticamente sem nada que fugisse do óbvio, isso sem contar nos enfadonhos jogos de palavras como: "se eu subir no morro eu morro". Muitas pessoas saíram antes do fim da apresentação, o que para um show de humor convencional, sem estratégias mais ousadas, é um grande problema.

Tudo isso culminou no encerramente estranho e até constrangedor, em que a atriz agradeceu, se despediu e disse que ainda faltava 5 minutos para cumprir o contrato do evento, então se alguém tivesse alguma pergunta podia fazer. Em meio a alguns "qual é o seu telefone?" e "pra que time você torce?" eu deixei o teatro. Cansado e avaliando que realmente Badi Assad e As Noivas de Nelson foram as grandes atrções da noite.


Obs1: Devido aos atrasos, nem passei perto do show do Vivendo do Ócio e da Sandra de Sá, me disseram que a cantora deu pití por causa do som, alguém me explica como foi? e alguém foi no Vivendo do Ócio? como foi o show?

Obs2: La Putanesca foi tão chato que esqueci de fotografar.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Minha programação para a Virada Cultural em Araçatuba

Amanhã tem início a Virada Cultural Paulista 2010. Para quem ainda não conhece, é um projeto da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo que promove 24 horas de atividades culturais em diversas cidades do interior paulista, além da própria capital, onde a Virada aconteceu na semana passada.

Não estou mais em Araçatuba, como nos anos anteriores, mas ainda assim é a cidade mais próxima para eu conferir as atrações. Este ano Araçatuba não tráz nada que realmente me empolgue, diferente dos anos anteriores (Vanguart, Cachorro Grande), mas ainda assim, montei meu roteiro, sujeito a alterações de última hora, claro.

Ah, como não tenho mais morada na cidade, só irei no sábado, mas também nada do domingo me interessou.

Segue meu roteiro:


Beatles 4 Ever (Música)

Horário: 19h30
Local: Palco Externo - Praça Getúlio Vargas



"No espetáculo, a banda cover dos Beatles traz de volta a magia da banda de rock de maior sucesso de todos os tempos. Os integrantes se caracterizam com figurinos e adereços de acordo com cada fase apresentada, utilizando instrumentos musicais de época, idênticos aos do quarteto mais famoso de Liverpool. No repertório, clássicos como Yellow Submarine, She loves you e Help!"

Não sei se presta, mas Beatles é sempre bom. A descrição não revela muita coisa, veremos


As Noivas de Nelson (Teatro)

Horário: 20h30
Local: Teatro da UNIP



"O espetáculo é baseado em cinco contos do dramaturgo Nelson Rodrigues: “Excesso de Trabalho”, “Delicado”, “O Sacrilégio”, “O Pastelzinho” e “Feia Demais”. Um humor cáustico, corrosivo e, ao mesmo tempo, humano, traça os encontros e desencontros das pessoas à procura da alma gêmea. A estranha e constante relação entre amor e morte é elemento fundamental desta ficção."

A sinopse me chamou atenção, no site do grupo tem mais informações. A peça foi bastante premiada e elogiada. Boas expectativas.



Obs1: As 21h tem Rádio 84 (banda com repertório anos 80) na Praça Getúlio Vargas e DJ Hum e Tio Fresh no Pub Rock Beer, mas acho que vou tirar esse período para comer alguma coisa.


Badi Assad (Música)

Horário: 22h30
Local: Teatro da UNIP



"Nos palcos, a brasileira Badi Assad revela-se uma das artistas mais completas e virtuosas do momento. Com o encanto de uma diva, ela canta, dança, toca violão e transforma o próprio corpo em percussão – tudo ao mesmo tempo! Com mais de oito CDs lançados pelo mundo, Badi também já foi eleita uma das melhores violonistas do planeta pela revista americana Guitar Player"

Badi tem DVD novo na praça, o que deve ditar o repertório. Estou bastante curioso para essa apresentação. O pouco que já vi dela, gostei bastante.



Obs2: Aqui tenho um dilema. Provavelmente vou no show da Badi Assad mesmo, mas estou tentado à apresentação do Vivendo do Ócio, no mesmo horário. O calor do momento vai decidir realmente.

Obs3: A Paty (minha namorada) ta querendo dar uma conferida na Sandra de Sá, meia noite, na Praça Getúlio Vargas. O horário ta sem concorrência mesmo, talvez role.



Multiplex (Música)

Horário: 0h30
Local: Teatro da UNIP



"A multiplicidade de influências marca o som da banda, formada em 2003 por Leandro Cunha e Bruno Palazzo. Apesar das letras em português e algumas referências nacionais, os músicos fazem rock moldado em fôrma estrangeira, partindo dos anos 70 e chegando à modernidade dos dias atuais"

Não conhecia a banda, olhando o myspace deles achei o som, eletro-glam-rock, interessante. Ao vivo no teatro vai ser no mínimo curioso.


La Putanesca, Baixarias de Alto Nível - Ângela Dip (Teatro)

Horário: 2h
Local: Teatro da UNIP



"Nesta comédia stand-up, Angela Dip faz reflexões rasteiras e inacabadas sobre sexo e comida. Com texto descontraído, a atriz diverte a plateia comentando fatos do cotidiano feminino, sempre com muito humor e elegância"

Acho interessantes os personagens dela na terça-insana, vamos ver se aguento ficar acordado, acho que sim.
*As fotos e sinopses são do site da Virada Cultural Paulista 2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

30 anos sem Ian Curtis

Engrossando o tributo do Matias ao Ian Curtis, que há 3o anos deixou esse mundo, mais vídeos de outros artistas homenageando Joy Division.


New Order - Love Will Tear Us Apart




Nine Inch Nails - Atmosphere




Arcade Fire e U2 - Love Will Tear Us Apart




The Wombats - Let's Dance To Joy Division (Essa pode também né?)

Muse com os vampirinhos, de novo

Depois de ceder Supermassive Black Hole para a trilha sonora do filme Crepúsculo, e um remix de I Belong To You para o Lua Nova, o Muse marca presença também em Eclipse, terceira parte da saga. A música é a inédita Neutron Star Collision (Love Is Forever).

É, acho que o Muse não tem mais jeito mesmo, poderiam muito bem ter parado no Absolution (2003), o melhor deles. Confira mais um exemplar de pop/progressivo/megalomaníaco da banda.





No restante, a trilha do filme segue a tendência dos episódios anteriores, trazendo grandes nomes do rock atual. Considerando o atual "time" escalado, fica um pouco atrás do Lua Nova, que tinha Thom Yorke, Killers, Death Cab For Cutie e outros.

Eis o tracklist, versão brasileira, da trilha de Eclipse, que será lançada em 8 de junho (deve vazar antes, claro). Atenção para a última música, não é piada.

1. Metric - Eclipse (All Yours)
2. Muse - Neutron Star Collision (Love Is Forever)
3. The Bravery - Ours
4. Florence + The Machine - Heavy In Your Arms
5. Sia - My Love
6. Fanfarlo - Atlas
7. The Black Keys - Chop And Change
8. The Dead Weather - Rolling In On A Burning Tire
9. Beck and Bat For Lashes - Let's Get Lost
10. Vampire Weekend - Jonathan Low
11. UNKLE - With You In My Head (Feat. The Black Angels)
12. Eastern Conference Champions - A Million Miles An Hour
13. Band of Horses - Life On Earth
14. Cee Lo Green - What Part of Forever
15. Howard Shore - Jacob’s Theme
16. HORI - Eterno Pra Você

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Quatro caipiras rumo a cidade grande para ver o Social Distortion


(Rolling Stone Brasil) Eu tava lá

E tudo começa quando Diego Assunção, mais conhecido como Tião, aparece empolgado como uma groupie falando de uma banda chamada Social Distortion. Eu conhecia o nome, mas nem sabia do que se tratava. Com esse nome, poderia ser qualquer bandinha pseudo anárquica que acha que boicotando o McDonalds pode dominar o mundo.

Em pouco tempo, Tião seguiu firme com o que ele próprio chamou de “Evangelização Social Distortion”. Logo, estávamos todos ouvindo a banda, mas garanto que de forma heterosexual, ninguém queria dar para o Mike Ness. O próprio som da banda não dava margem para esse tipo de tietagem.

Sei lá quantos anos depois, vem o anúncio de que o Social D. faria uma turnê sul-americana e passaria pelo Brasil. Sem hesitar, Tião foi botando pilha em todo mundo para o show. Nos organizamos e fechamos nossa “entourage”. Eu, Tião, Márcio Anix e Márcio Bracioli. A merda estava feita. Ingresso comprado, só faltava saber como ir e onde ficar.

Tião, Marcin, eu e Bracioli

Como um bando de caipiras cagões que somos, fomos atrás de hotéis próximos ao Via Funchal, local do show. A princípio iríamos a bordo do “Rufus, o destemido assassino de coqueiros indefesos” (carro do Marcin Anix), mas como além de coqueiros o Rufus resolveu desbravar os vulcões do asfalto de Araçatuba, começamos a trabalhar com a ideia de um plano B.

Toda essa preparação teve início em janeiro, o show estava marcado para o dia 17 de abril. No final das contas fechamos com um hotel a meio quarteirão do Via Funchal e conseguimos o alvará para ir com o carro da mãe do Tião, já que o Rufus ainda não vinha com o vigor físico de antigamente, estávamos nos borrando de medo dele não agüentar os 500km de viagem.

Enquanto tudo isso acontecia, o mundo seguia chutando traseiros sem parar. O Bracioli perdeu o emprego, mas felizmente pouco depois já se acertou em um novo trampo. E a uma semana do show, também rodei, ainda estou a procura de algo, do contrário não estaria na sexta-feira no meio da tarde escrevendo essas asneiras, certo?! Mas como disse, a merda já estava feita, ingresso comprado, hotel reservado, o que restou foi ir e afogar as mágoas em uma roda de slam dancing.

O comprovante da merda

Enfim chega a data do show, saímos de Araçatuba no sábado mesmo, dia do show, às 6 da matina. Ajuizados que somos, eu e Marcin saímos para tomar uma de leve no dia anterior. Corta a cena, os dois voltando as 2 e meia da madrugada, bêbados. Mas como diz o Marcin, “Deus protege os bêbados e os tolos”, ressaca zero no outro dia.

Como bons caipiras prevenidos, pegamos a estrada munidos de mapas (horríveis) e de um GPS que ninguém sabia usar direito. Segundo o maldito aparelho, por boa parte do percurso andávamos pela grama! Então a doce voz, com leve sotaque carioca dizia “vire a ixquierda”. Não tinha porra de “ixquierda” nenhuma sua vaca desorientada.

carioca maldita

Na estrada não havia problemas, até sabíamos chegar, então paramos de nos preocupar com a vaca mecânica. O problema era dentro de São Paulo, chegando em cidade grande a caipirada treme. Até que, milagrosamente, nossa amiga carioca resolveu funcionar, então resolvemos segui-la em vez de fazer o caminho do Google map. Íamos bem, até que a maldita despirocou de vez, não achava mais rota nenhuma, ainda bem que já estávamos perto do destino, com poucas voltas a mais achamos.

Chegando no hotel a saga caipira continua. Medo de elevador (Bracioli), não saber onde ascende a luz do quarto (Marcin e Tião), onde liga o ar condicionado (eu e Bracioli) e por aí vai...

medo de elevador

Fomos retirar os ingressos no Via Funchal, algumas pessoas se aglomeravam na fila, várias garotinhas interessantes... mas em poucos segundos descobrimos que estavam lá para comprar ingresso para o show do NX Zero. Ok, já era demais né?

Depois de almoçarmos, fomos na cobertura do hotel dar uma olhada. Coisa de meninão do interior mesmo. Tiramos algumas fotos idiotas, constatamos o medo de altura devastador do Tião (a três passos do parapeito ele andava como se estivesse em uma corda bamba), e descemos para dar uma descansada.

Show marcado para as 22h. Chegamos quase na hora da abertura dos portões, às 20h. Mas em tempo, tomamos uma cerveja antes, com exceção do Bracioli que preferiu um Yakult, digo, um refrigerante. Pensamos em comprar alguma camiseta do Social D. mas preferimos esperar.
Quando entramos no Via Funchal o Marcin já começou a tremer e foi compra uma cerveja. Itaipava por R$ 6, que beleza... No telão passava a esquizofrênica programação da casa nos próximos dias: NX Zero, ZZ Top, Jorge Vercilo, Demi Lovato...

pouco antes do show

Vimos várias personalidades enquanto o show não começava: um personagem do Avatar, o Lenny Kravits entre outros. Às 9h a banda Argentina, All The Hats começou a tocar, ficamos felizes por nosso amigo Yago ser o vocalista. O destaque do show ficou por conta dos gritos de “pentacampeão” do público, e do guitarrista que tentou organizar o grito: “olê olê olê olê, Social Social”, muita gente não entendeu até agora o que ele tentou dizer.

vai lá Yago!

Quando o Social Distortion entrou no palco a coisa apertou, literalmente. Antes da primeira música terminar já estávamos uns 6 metros pra trás de onde começamos (mais um capítulo de Caipira Facts). Pouco depois perguntamos “cadê o Marcin?”, aí vimos aquele ser que se parece com o Will Ferrel no meio do bate-cabeça, mas foi por pouco tempo, quando viu que só apanhava desistiu.

O mais legal é a “ética” que rola no meio das rodas de slam dancing. Em uma do meu lado um cara deixou o celular cair, todo mundo abaixou para procurar, achei até que fosse um “passo” novo. No meio do show, o Bracioli sentiu a patinha e saiu atrás de mais um Yakult.

No final da apresentação, ao som de I Walk the Line, estávamos quebrados. Na saída o Tião comprou um camiseta, não conseguiu parcelar no cartão, pagou em dinheiro mesmo. Levamos o Bracioli, contundido, ao hotel e comemos um dogão, a tiazinha com sotaque de nordestina jurava que era de Araçatuba.

No outro dia, no café da manhã, comemos feito javalis e pegamos estrada, a volta foi tranqüila, nem precisamos da vadia carioca. Detalhe, no café o Tião, sãopaulino, jura que intimidou o juiz de São Paulo e Santos que estava lá também.

Chegamos em Araçatuba por volta das 17h30. Caipiras realizados. Combinamos de nos aventurar de novo se tiver o Woodstock em Itu. E para coroar o final de semana, Marcin foi a noite na Festa do Peão de Bilac.
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Se você quer uma resenha de verdade sobre o show, olhe o post abaixo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Texto meu no Scream & Yell. Social Distortion em São Paulo

Enfim o blog volta a ativa, e em grande estilo. Texto meu no Scream & Yell. Clique abaixo e confira.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Top 10 - Discos Internacionais 2009

1 - Them Crooked Vultures - Them Crooked Vultures



Josh Home, Dave Grohl e John Paul Jones. Precisa dizer mais alguma coisa? Não tinha como dar errado. Rock'n Roll como há tempos não se via. Pesado, experimental e empolgante.

Top 3:

New Fang
Dead End Friends
Elephants



2 - Tonight: Franz Ferdinand - Franz Ferdinand



Vibrante, eletrônico, dançante, psicodélico e pop. Era improvável que depois dos dois ótimos e hypados primeiros álbuns o Franz Ferdinand ainda pudesse nos oferecer uma pérola como essa. Vai entender esse mundo da música...

Top 3:

Ulysses
Turn It On
No You Girls



3 - It's Blitz - Yeah Yeah Yeahs



O melhor disco da carreira deles, sintetizadores fazem as vezes das paredes de guitarras habituais. Belas baladas ao lado de batidões racha-assoalho. E claro, a voz marcante de Karen O.

Top 3:

Zero
Heads Will Roll
Dull Life



4 - Humbug - Arctic Monkeys



Muitos criticaram, esperavam todo aquele frescor cínico adolescente (e irresistível) dos discos anteriores, mas sem insistir na mesma tecla os Monkeys nos oferecem um álbum viajado e introspectivo, mantendo a qualidade.

Top 3:

Crying Lightning
Dangerous Animals
Cornerstone



5 - Backspacer - Pearl Jam



Sem se preocupar com o dilema do "amadurecimento", Eddie Veder e cia. mergulham de cabeça em um rock'n roll rápido, simples e vigoroso. E ainda sobra espaço para baladas que remetem a carreira solo de Veder.

Top 3:

Got Some
The Fixer
Just Breath



6 - Raditude - Weezer



Depois do irregular "Red Album", o Weezer aparece com aquela fórmula peculiar da banda: baladas perfeitamente pegajosas e radiofônicas ao lado de esquisitices e nerdices. Se você ouvir o disco inteiro e não ficar pelo menos uma semana cantarolando várias das faixas, se considere um herói.

Top 3:

(If You're Wondering If I Want You To) I Want You To
The Girl Got Hot
Put Me Back Together



7 - Together Through Life - Bob Dylan



Sim, Dylan continua lançando grandes discos. Aqui a voz, cada vez mais debilitada, é envolvida por arranjos mais crus , se comparados com os de Modern Times, mas ainda assim irresistíveis. Dylan é Dylan e ponto.

Top 3:

Beyond Here Lies Nothin'
Life Is Hard
If You Ever Go To Houston

8 - Black Gives Way To Blue - Alice In Chains



Eis que o ressurge o grunge. Com um vocalista competente, o AIC volta com um disco honesto, pesado e sem cheiro de naftalina. É para agradar velhos e novos grunges. Existem novos grunges? talvez não, mas agora em 2010 existirão, pode acreditar.

Top 3:

All Secrets Known
Check My Brain
A Looking In View


9 - Wolfgang Amadeus Phoenix - Phoenix


Minha resistência a esse disco foi considerável, mas é quase impossível passar pelas três primeiras faixas imune. O som e refinado mas dançante, para dançar com classe, sem suar.

Top 3:

Lisztomania
1901
Fences


10 - The Eternal - Sonic Youth


Acho que os pesadelos sonoros desses caras nunca vão parecer fora de contexto. Mesclando a fase mais experimental com a mais pop surge mais um álbum forte na carreira da banda.

Top 3:

Sacred Trickster
Anti-Orgasm
No Way

sábado, 23 de janeiro de 2010

Top 10 - Discos Nacionais 2009

1 - Certa Manhã Acordei De Sonhos Intranquilos - Otto



Em seu primeiro trabalho após o fim do relacionamento com a atriz Alessandra Negrini o pernambucano produz seu melhor disco. Amargo, ressentido e escoltado por ótimas parcerias com Lirinha, Céu e Julieta Venegas.

Top 3:

Crua
6 Minutos
Lágrimas Negras

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2 - Uhuuu! - Cidadão Instigado



Algo como um disco de brega progressivo. Um disco bem acabado e bonito que cresce a cada audição. Algo como o Odair José compondo com o Flaming Lips com o Pink Floyd como banda de apoio.

Top 3:

O Nada
Contando Estrelas
Doido

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3 - Tudo Que Eu Sempre Sonhei - Pullovers



Só a música título já valeria o album, mas felizmente não é a única pérola do disco. A sonoridade parece ser o elo entre o rock nacional anos 80 e o britpop dos 90, mas tudo isso colocado em contexto por ótimas letras e melodias contagiantes.

Top 3:

Tudo Que Eu Sempre Sonhei
O Amor Verdadeiro Não Tem Vista Para O Mar
Futebol De Óculos

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4 - Vagarosa - Céu



Devaneios conduzidos por uma irretocável atmosfera dub e pela voz doce e segura da cantora. As músicas são arrastadas e classudas, algo quase hipnótico.

Top 3:

Cangote
Bubuia
Nascente

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5 - C_mpl_te - Móveis Coloniais de Acaju



Um belo amadurescimento da big band de Brasília. Um álbum bonito e festeiro. Era o que faltava para uma banda que toca a carreira funcionando como uma empresa e é tida como infalível no palco.

Top 3:

Adeus
O Tempo
Cão-Guia

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6 - Banda Gentileza - Banda Gentileza



O melhor debut de 2009 vem de Curitiba. O nome peculiar batiza uma trupe de 6 músicos que se revezam entre vários instrumentos, de trompete a ukelele. O som é algo entre Los Hermanos e Móveis Coloniais de Acaju, ideal para os órfãos dos barbudos.

Top 3:

Coracion
Teu Capricho, Meu Despacho
Maior Com Sétima

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7 - Rock 'N' Roll - Erasmo Carlos



Erasmão volta com tudo em um álbum deliciosamente honesto. Parcerias com... não, não tem nada do Roberto Carlos aqui, as parcerias são com Nando Reis e Chico Amaral. Com 68 anos, Erasmo Carlos nos brinda com um disco de frescor surpreendente.

Top 3:

Jogo Sujo
Cover
A Guitarra É Uma Mulher

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8 - Iê Iê Iê - Arnaldo Antunes



Longe das canções concretistas que fizeram sua carreira solo, Arnaldo Antunes faz jus ao título do álbum. Cercado de uma banda competentíssima (fazem parte Edgard Scandurra, Marcelo Jeneci e Curumin), o ex-titãs inaugura nova fase em sua carreira com músicas simples e felizes.

Top 3:

Invejoso
Longe
Envelhecer

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9 - Life Is A Big Holiday For Us - Black Drawing Chalk



O negócio aqui é rock'n roll. Esse quarteto goiano só compõe em inglês, não faz um som revolucionário e não está nem um pouco preocupado com isso. Stoner rock para dar mosh e tomar cerveja, não ao mesmo tempo, claro, não desperdice.

Top 3:

My Favorite Way
Free From Desire
Girl I've Come To Lay You Down

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10 - Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe - Emicida


Um rapper? Sim, um rapper. Letras bem sacadas, malandragem e classe na medida e bases que vão de levadas jazzísticas a batidões frenéticos.

Top 3:

Sozim
Ainda Ontem
Triunfo

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