sexta-feira, 23 de abril de 2010

Quatro caipiras rumo a cidade grande para ver o Social Distortion


(Rolling Stone Brasil) Eu tava lá

E tudo começa quando Diego Assunção, mais conhecido como Tião, aparece empolgado como uma groupie falando de uma banda chamada Social Distortion. Eu conhecia o nome, mas nem sabia do que se tratava. Com esse nome, poderia ser qualquer bandinha pseudo anárquica que acha que boicotando o McDonalds pode dominar o mundo.

Em pouco tempo, Tião seguiu firme com o que ele próprio chamou de “Evangelização Social Distortion”. Logo, estávamos todos ouvindo a banda, mas garanto que de forma heterosexual, ninguém queria dar para o Mike Ness. O próprio som da banda não dava margem para esse tipo de tietagem.

Sei lá quantos anos depois, vem o anúncio de que o Social D. faria uma turnê sul-americana e passaria pelo Brasil. Sem hesitar, Tião foi botando pilha em todo mundo para o show. Nos organizamos e fechamos nossa “entourage”. Eu, Tião, Márcio Anix e Márcio Bracioli. A merda estava feita. Ingresso comprado, só faltava saber como ir e onde ficar.

Tião, Marcin, eu e Bracioli

Como um bando de caipiras cagões que somos, fomos atrás de hotéis próximos ao Via Funchal, local do show. A princípio iríamos a bordo do “Rufus, o destemido assassino de coqueiros indefesos” (carro do Marcin Anix), mas como além de coqueiros o Rufus resolveu desbravar os vulcões do asfalto de Araçatuba, começamos a trabalhar com a ideia de um plano B.

Toda essa preparação teve início em janeiro, o show estava marcado para o dia 17 de abril. No final das contas fechamos com um hotel a meio quarteirão do Via Funchal e conseguimos o alvará para ir com o carro da mãe do Tião, já que o Rufus ainda não vinha com o vigor físico de antigamente, estávamos nos borrando de medo dele não agüentar os 500km de viagem.

Enquanto tudo isso acontecia, o mundo seguia chutando traseiros sem parar. O Bracioli perdeu o emprego, mas felizmente pouco depois já se acertou em um novo trampo. E a uma semana do show, também rodei, ainda estou a procura de algo, do contrário não estaria na sexta-feira no meio da tarde escrevendo essas asneiras, certo?! Mas como disse, a merda já estava feita, ingresso comprado, hotel reservado, o que restou foi ir e afogar as mágoas em uma roda de slam dancing.

O comprovante da merda

Enfim chega a data do show, saímos de Araçatuba no sábado mesmo, dia do show, às 6 da matina. Ajuizados que somos, eu e Marcin saímos para tomar uma de leve no dia anterior. Corta a cena, os dois voltando as 2 e meia da madrugada, bêbados. Mas como diz o Marcin, “Deus protege os bêbados e os tolos”, ressaca zero no outro dia.

Como bons caipiras prevenidos, pegamos a estrada munidos de mapas (horríveis) e de um GPS que ninguém sabia usar direito. Segundo o maldito aparelho, por boa parte do percurso andávamos pela grama! Então a doce voz, com leve sotaque carioca dizia “vire a ixquierda”. Não tinha porra de “ixquierda” nenhuma sua vaca desorientada.

carioca maldita

Na estrada não havia problemas, até sabíamos chegar, então paramos de nos preocupar com a vaca mecânica. O problema era dentro de São Paulo, chegando em cidade grande a caipirada treme. Até que, milagrosamente, nossa amiga carioca resolveu funcionar, então resolvemos segui-la em vez de fazer o caminho do Google map. Íamos bem, até que a maldita despirocou de vez, não achava mais rota nenhuma, ainda bem que já estávamos perto do destino, com poucas voltas a mais achamos.

Chegando no hotel a saga caipira continua. Medo de elevador (Bracioli), não saber onde ascende a luz do quarto (Marcin e Tião), onde liga o ar condicionado (eu e Bracioli) e por aí vai...

medo de elevador

Fomos retirar os ingressos no Via Funchal, algumas pessoas se aglomeravam na fila, várias garotinhas interessantes... mas em poucos segundos descobrimos que estavam lá para comprar ingresso para o show do NX Zero. Ok, já era demais né?

Depois de almoçarmos, fomos na cobertura do hotel dar uma olhada. Coisa de meninão do interior mesmo. Tiramos algumas fotos idiotas, constatamos o medo de altura devastador do Tião (a três passos do parapeito ele andava como se estivesse em uma corda bamba), e descemos para dar uma descansada.

Show marcado para as 22h. Chegamos quase na hora da abertura dos portões, às 20h. Mas em tempo, tomamos uma cerveja antes, com exceção do Bracioli que preferiu um Yakult, digo, um refrigerante. Pensamos em comprar alguma camiseta do Social D. mas preferimos esperar.
Quando entramos no Via Funchal o Marcin já começou a tremer e foi compra uma cerveja. Itaipava por R$ 6, que beleza... No telão passava a esquizofrênica programação da casa nos próximos dias: NX Zero, ZZ Top, Jorge Vercilo, Demi Lovato...

pouco antes do show

Vimos várias personalidades enquanto o show não começava: um personagem do Avatar, o Lenny Kravits entre outros. Às 9h a banda Argentina, All The Hats começou a tocar, ficamos felizes por nosso amigo Yago ser o vocalista. O destaque do show ficou por conta dos gritos de “pentacampeão” do público, e do guitarrista que tentou organizar o grito: “olê olê olê olê, Social Social”, muita gente não entendeu até agora o que ele tentou dizer.

vai lá Yago!

Quando o Social Distortion entrou no palco a coisa apertou, literalmente. Antes da primeira música terminar já estávamos uns 6 metros pra trás de onde começamos (mais um capítulo de Caipira Facts). Pouco depois perguntamos “cadê o Marcin?”, aí vimos aquele ser que se parece com o Will Ferrel no meio do bate-cabeça, mas foi por pouco tempo, quando viu que só apanhava desistiu.

O mais legal é a “ética” que rola no meio das rodas de slam dancing. Em uma do meu lado um cara deixou o celular cair, todo mundo abaixou para procurar, achei até que fosse um “passo” novo. No meio do show, o Bracioli sentiu a patinha e saiu atrás de mais um Yakult.

No final da apresentação, ao som de I Walk the Line, estávamos quebrados. Na saída o Tião comprou um camiseta, não conseguiu parcelar no cartão, pagou em dinheiro mesmo. Levamos o Bracioli, contundido, ao hotel e comemos um dogão, a tiazinha com sotaque de nordestina jurava que era de Araçatuba.

No outro dia, no café da manhã, comemos feito javalis e pegamos estrada, a volta foi tranqüila, nem precisamos da vadia carioca. Detalhe, no café o Tião, sãopaulino, jura que intimidou o juiz de São Paulo e Santos que estava lá também.

Chegamos em Araçatuba por volta das 17h30. Caipiras realizados. Combinamos de nos aventurar de novo se tiver o Woodstock em Itu. E para coroar o final de semana, Marcin foi a noite na Festa do Peão de Bilac.
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Se você quer uma resenha de verdade sobre o show, olhe o post abaixo.

4 comentários:

Anderson Augusto Soares disse...

Passarei a ter cuidado com as cariocas...

(O Tião sem barba é a grande novidade!)

Diego Assunção disse...

Vale lembrar que na foto do elevador ali em cima, o espanto estampado no rosto de todos ali se deve a perturbadora bomba nuclear largada pelo Bracioli ali. Hiroshima foi um ato humanitário perto deste bombardeio claustrofóbico.

Luísa Módena disse...

Muito muito bom!!! rsrsrs

Du, além da bagunça a sua descrição está impagável!!

Saudade de vocês!!!
beijão!!
Lu

Lu disse...

hahahahaha
Divertidíissimo, Dudu!