domingo, 2 de novembro de 2008

Araçatuba e Grandes Shows


É, parece que Araçatuba está começando a se tornar um lugar legal para se ver bons shows. Tudo bem, sei que é cedo para uma constatação como essa, mas para uma cidade movida musicalmente por duplas sertanejas e grupos de pagode, poder conferir no prazo de um mês shows de gente como Ludov, Nação Zumbi e Tom Zé, é um sopro de esperança. Isso sem contar no Pub Rock Beer, que além de sua (boa) programação tradicional, já nos trouxe Matanza, Rock Rocket e Autoramas (tá bom vai, Medulla também).

O grande problema da vinda desses shows para Araçatuba, pelo menos no caso dos três últimos (Ludov, Nação e Tom Zé), é que a divulgação não tem o alcance que deveria. Instantaneamente vem o argumento de que shows como esses têm um público restrito mesmo e tal... até concordo, mas não acho que por ser de certa forma "para poucos"(não gosto desse termo), tem que ser mantido em guetos, sempre para os mesmos, creio que quanto mais divulgação melhor, considerando o orçamento para isso claro.

Ludov e Nação Zumbi vieram por meio do projeto Cena Independente Paulista, Araçatuba foi uma das quatro cidades escolhidas para sediar o evento. O Ludov infelizmente não pude ver, mas soube que foi bem fraco de público. O Nação Zumbi, considerando a pífia divulgação do evento, achei que o público foi até razoável. O show foi muito bom, focado no repertório do álbum mais recente, Fome de Tudo, mas com espaço para os clássicos Maracatu Atômico, Manguetown e outros. Som impecável, bom repertório e presença de palco marcante, ou seja, o essencial para um grande show.

Realizado na última quinta-feira, 30 de outubro, pelo Sesc, o show do Tom Zé contou com uma divulgação um pouco maior do que os que já citei, mas ainda assim poderia ter atraído um público muito maior. De qualquer forma, o show me surpreendeu, e muito. Não imaginei que fosse tão bom, não conhecia muitas músicas e não estava tão empolgado, mas fui.

Em alguns momentos imaginei que estivesse em um espetáculo de stand up comedy, tamanha a carga performática do baiano. Entre as músicas, longas e divertidas explicações, contextualizações e conversas mesmo, literalmente um bate-papo com o público, que acompanhava extasiado o que o cantor dizia, e convenhamos: iriam morrer de rir mesmo se ele contasse a piada do pintinho sem cu, mas de qualquer forma estava valendo.

O show foi curto, poucas músicas e muita conversa, mas por outro lado, uma banda afiadíssima - os "crescendos" da música 2001 foram de arrepiar - e uma entrega, liderada pelo maestro Tom Zé, que não se vê com freqüência nem nas bandas iniciantes mais motivadas, digo isso desprovido de qualquer saudosismo, quem me conhece sabe que não penso assim.

No final das contas tive certeza que presenciei um grande show, com a ressalva de que poderia ter atraído mais pessoas, mas tudo bem. Vão dizer que se tivesse muita gente ia estragar o clima intimista do show. Entretanto, quem viu, com certeza irá concordar que com aquele domínio de palco, seria indiferente 10 ou 10 mil pessoas assistindo.

Ficamos então na espera de mais shows, que isso melhore cada vez mais. Parece que o Vanguart está a caminho pela segunda vez, fica o aviso, não percam.

3 comentários:

Anderson Augusto Soares disse...

Fui no ShoW do Tom zé. De fato, ele deu um espetáculo de qualidade e de siimplicidade. Atendeu um pequeno público que queríamos tirar fotos com ele, sem aquele estrelismo que muitos artisras esbanjam,.
Outro show bacana que tivemos em Arçatuba foi o da cantora Ceumar.

Domínio Público disse...

Oi! Concordo com tudo que você disse, temos dificuldade em atingir um público amplo, afinal primanos por difundir cultura a grandes contingentes sem depreciá-la. Conto com sua sugestão para difundir os eventos do SESC.

bJS....

Entre no meu blog e veja o artigo que escreve sobre o Tom.

http://debatecerto.blogspot.com/2008/10/tom-z-e-sua-resistncia-frente-ao.html

Bruno Meira Alves disse...

E ae, Eduardo, firmeza ??

Tô aqui em SÃO PAULO, fiquei sabendo desses shows ótimos que teve aí em ARAÇATUBA ... infelizmente a cultura local (e as rádios) estão rendidas ao SERTANOJO, e o espaço para divulgar nossas músicas "e culturas" fica restrito (infelizmente) ... NAÇÃO ZUMBI e LUDOV ? Que máximo ...