domingo, 7 de dezembro de 2008

Day & Age - The Killers

Depois dos dois bons primeiros álbuns, Hot Fuss (2004) e Sam's Town (2006), o The Killers volta no fim de 2008 com Day & Age. Integrante do chamado "Novo Rock" (iniciado em 2001 com os Strokes), a banda iniciou sua trajetória com um rock dançante de referências oitentistas, depois partiu para uma espécie de rock de arena, bem ao estilo Bruce Springsteam. E agora segue testando novas sonoridades e referências. Vamos a um faixa-a-faixa de Day & Age para tentar entender o novo trabalho.


1) Losing Touch (4'15") - Começa vigorosa, perfeita para abrir um álbum, e de repente entra um naipe de metais... causa estranhamento, mas funciona, torna até a música mais divertida. O refrão é ganchudo e também funciona muito bem. Bela faixa, mas no final fica a dúvida: "Esse é o Killers do Hot Fuss, do Sam's Town ou nenhum nem outro?". Bem, ainda não há como constatar, quem sabe mais adiante...

2) Human (4'05") - O que é isso? Erasure? Madonna? Não, apenas o Killers fazendo tecnopop. O resultado é bastante curioso. "Are we human, or are we dancers?" pergunta Brandon Flowers. Se em Hot Fuss a referência aos anos 80 é sutil, aqui ela é escancarada, até nostálgica. Certamente a faixa vai ter milhões de remixes, mas a original com certeza já deve bombar em qualquer pista de dança.

3) Spaceman (4'44") - Mais tecnopop, só que agora um pouco menos Pet Shop Boys e mais New Order. No geral é uma música feliz apesar da letra lembrando filmes de ficção científica, se assemelha a alguns sons do Hot Fuss.

4) Joy Ride (3'33") - Faixa (bem) dançante, guitarras funkeadas, metais e (acho) percussão. Irresistível. O clima de "noitada no cassino" é contagiante. Só faltou um refrão mais marcante, mas mesmo assim a peteca não cai.

5) A Dustland Fairytale (3'45") - Aparentemente uma balada conduzida por piano e teclado, bastante dramática. Até que se inicia um crescendo interminável. Interminável mesmo, a música acaba e parece que ainda não chegou no auge.

6) This Is Your Life (3'41") - Começa com uns vocais graves estranhos e um baixo estalado, parece que a qualquer momento vai entrar o coro de Tarzan Boy (alguém lembra?). Algo como Bono e The Edge tocando com o Erasure aditivado de uma dosinha de testosterona, mas não muita. Vou ouvir A Little Respect e já volto.

7) I Can't Stay (3'06") - Timbres cafonas, parece uma salsa, mas a melodia vocal é muito boa. Dá para imaginar Brandon Flowers dançando vestido com um collant tipo Freddie Mercury.

8) Neon Tiger (3'05") - Música de andamento moderado, que no final soa arrastado. Apesar do bom refrão, não acrescenta muito ao álbum.

9) The World We Live In (4'40") - O verso lembra o The Cure em sua fase mais dançante, o próprio Flowers parece evocar o descabelado Robert Smith nos vocais. Boa surpresa.

10) Goodnight, Travel Well (6'52") - Música soturna, contraponto a quase tudo ouvido anteriormente no álbum. Também remete ao Cure, mas dessa vez ao lado sombrio mesmo. A letra é triste que chega doer, principalmente na parte final, quando Flowers grita "there's nothing I can say, there's nothing I can do now". O álbum poderia terminar aqui.

11) A Crippling Blow (3'36") - Faixa alegre e saltitante, até meio caricata. Não que seja ruim, mas Goodnight, Travel Well fecharia o álbum com mais classe.


Ao ouvir Day & Age por inteiro percebemos que é muito mais Hot Fuss do que Sam's Town, mas com ressalvas. As referências oitentistas, aqui aparecem muito mais explícitas que no primeiro álbum da banda, mas o problema é que isso não acontece de maneira uniforme. Ao mesmo tempo que temos Human, totalmente tecnopop; temos Neon Tiger, bem mais contida e sóbria; e ainda toda a densidade de Goodnight, Travel Well. Isso, de certa forma, causa um desequilíbrio na unidade do álbum.

É claro que essa "uniformidade" não é uma regra, mas nesse caso a falta dela tornou o álbum um tanto quanto bagunçado. Algumas músicas são imperdíveis, mas como um todo, a coisa desanda.

Por outro lado, é interessante ressaltar que entre as bandas do tal "Novo Rock" (Strokes, Franz Ferdinand, Bloc Party, Artic Monkeys, etc), o Killers é uma das que mais se arrisca, o que mesmo os deixando em situação de risco, é louvável.

6 comentários:

Diego Assunção disse...

Pô, eu não acho que o segundo álbum se aproxima do "rock de arena" do Springsteen. Algumas faixas ali estão mais próximas mesmo dos trabalhos sombrios e intimistas do The Boss, não?

Eduardo Martinez disse...

Também tem ligação com essa outra faceta do Springsteeen, mas músicas como When You Were Young e The River is Wild remetem automaticamente a multidões gritando ensandecidas.

Jean Fronho disse...

Fala Eduardo!
Dei uma olhada no seu blog. Apesar de não ter visto tudo, gostei dessa coisa de falar de musica mas dando espaço pra outras coisas que voce ache importante.
Comecei com um blog há poucos dias, da uma passada la depois.
Flw ai, abraço!

Jean Fronho disse...

Fala Eduardo!
Dei uma olhada no seu blog. Apesar de não ter visto tudo, gostei dessa coisa de falar de musica mas dando espaço pra outras coisas que voce ache importante.
Comecei com um blog há poucos dias, da uma passada la depois.
Flw ai, abraço!

Diuân Feltrin disse...

Olá Eduardo!
gostei muito de seu blog!
E esta crítica sobre o álbum de the Killers ficou muito boa!
Parabéns!
Abraços

Fabrícia Lopes disse...

Eduardo, está mto legal! mudei o endereço do meu ...aperece por lah...Abraços,

http://metabolizar.blogspot.com/