sábado, 27 de novembro de 2010

Meu Planeta Terra



Nunca tinha ido ao Planeta Terra Festival, e nem a qualquer outro festival desse porte (interior é foda). Dito isso, não tenho qualquer base comparativa, mas o que posso dizer é que gostei muito. Tudo me pareceu funcionar bem, é claro que tive que encarar filas, pequenos tumultos e tudo o mais... mas em uma aglomeração de pessoas dessa o estranho seria se não houvesse nada disso. Ouvi de vários amigos: “fila? É que você não foi no SWU!”. É, acho que optar pelo Terra foi um acerto, claro que não só por isso, mas por questões logísticas de quem mora a 600km da capital. 

O mais legal é que o Planeta Terra parece ter conseguido sua identidade além da programação. A curadoria é ótima, mas o clima do festival parece atrair um público muito além dos fãs das bandas, o que é uma prova da consolidação do projeto. Se tudo correr bem, em 2011, Planeta Terra de novo. Vamos aos shows:



Mombojó


O Mombojó entrou no palco as 16h. Se o sol não castigava tanto, o clima abafado tomava conta. Com os 5 integrantes concentrados no meio do grande palco do Terra, o grupo já mandou, logo de cara “A Missa” e “Faaca”, do primeiro e melhor disco deles, Nada de Novo (2004). Uma característica marcante do show dos recifenses é que as músicas, mesmo as mais calmas, ganham um peso estrondoso ao vivo. Bonito de se ver. Ainda mais aliado ao freak-show-epilético do vocalista Felipe S., que pulou diversas vezes do palco para as caixas em baixo dele, até que um membro da produção o alertou: “cuidado que vai cair”. 

Algumas canções, mais lentas, deram uma quebra no meio da apresentação, mas, mesmo assim, foram cantadas em coro pelos fãs, que se não eram muitos naquele horário, aproveitavam o privilégio de poder pular e dançar sem esbarrar em ninguém. No final, a apresentação retomou a força com “Papapa” e uma versão pesadíssima de “Deixe-se Acreditar”. Após o show, o vocalista andou um pouco pelo Playcenter, mas logo foi embora, afinal, logo mais o Del Rey (projeto do Mombojó + China com músicas do Roberto Carlos) teria um de seus concorridos shows em São Paulo. O Planeta Terra começou bem.


Novos Paulistas


Tulipa Tuiz, Tatá Aeroplano, Thiago Petit, Tiê e Dudu Tsuda formam o projeto Novos Paulistas. Quando começaram a tocar, o número de pessoas já era bem maior, ou como disse Tulipa: “as cabecinhas estão aumentando!”. Os 5 integrantes são talentosos, mas o projeto em si ainda carece de mais corpo, pelo menos para encarar festivais desse porte, talvez em um teatro ou em outro ambiente mais intimista as sutilezas das composições possam ser apreciadas de melhor forma. 

Como no futebol, quando um time não convence no esquema tático, resta apostar nos talentos individuais, e foi o que aconteceu. Com Tulipa (muito aplaudida) em “Efêmera” e Tatá Aeroplano em “Cama”, o show teve seus melhores momentos, além de “Mapa-mundi” de Thiago Petit, que ganhou peso ao vivo e “Pedrinho” de Tulipa, já no fim do show. Nas músicas da Tiê (com uma doçura provocante, trajando apenas uma camisetona da Tina Turner) o bocejo era quase incontrolável, como um vírus se espalhando ao redor. Até as serpentinas que atiravam sobre o público pareciam desajeitadas. Sobre maldades alheias, ouvi alguém dizer sobre Thiago Petit: “cada um tem o Beirut que merece”. De toda forma, Novos Paulistas é um projeto para se acompanhar de perto.


Holger


O Holger não vi inteiro, mas me arrependi, o clima era bom. “Beaver” foi insana, estava filmando, mas tive que parar para dançar, ou seja lá o que fosse aquilo que eu fazia. A zorra no palco foi a esperada. Roadies tiveram trabalho com pedestais desmontando, bateria saindo do lugar, fora o banho de cerveja que os integrantes deram neles mesmos e nos instrumentos. A satisfação deles em tocar no festival era nítida e contribuiu para que o show não virasse uma grande piada interna, como alguns temiam.


Of Montreal



Confesso que conhecia pouquíssimo o Of Montreal, apenas o disco mais recente, False Priest (2010) e o Hissing Fauna, Are You The Destroyer (2007), e ainda de forma superficial. Essa é para quem adora rótulos: o show foi um circo-de-solei-dos-horrores-indie-funk. Diversos personagens esquisitíssimos fantasiados tomavam conta do palco em vários momentos da apresentação, um até voou nos braços da galera. 

Kevin Barnes, vocal e cabeça do grupo é um bom frontman ou front-sei-lá-oque. Canta bem, segura as pontas na guitarra e é performático até o limite (muitas vezes além) do ridículo. Ao menos para mim, o show funcionou bem, saí com vontade de ouvir melhor o som deles.


Mika


Outro que eu também não conhecia muita coisa, apenas os hits, que já achava bem interessantes. Logo de início já mandou “Relax (Take It Easy)”. O público do libanês era facilmente identificável, visual extravagante e comportamento afetado, é claro que isso é uma generalização, mas que parecia uma tropa uniformizada de forma escandalosa, ah parecia... 

Fiquei surpreso com o enorme número de pessoas que cantava todas as músicas com letras decoradas, não sabia que ele era tão bombado assim. Detalhe, cruzei com Leandra Leal e Mariana Ximenes fritando de dançar no inicio do show, dei uma trombada que quase derrubei a Leandra, sorry Lê. 

O show é de primeira, o cara é um showman (man?!) nato, daqueles que correm, fazem pose, sobem no piano, interagem com todos os integrantes da banda e tudo o mais. Além de cantar muito, mas muito mesmo, tanto no gogó quanto nos falsetes, nítidos e potentes. Em dado momento, quando dançarinos fantasiados entraram no palco, a amiga Karina (que foi uma ótima companhia em todo o festival) brincou que seriam os mesmos do Of Montreal. Na hora já pensei em Mika e Kevin Barnes fazendo uma seletiva juntos e combinando de levar os mesmos para baratear o custo, cena interessante! 

O final, com “Grace Kelly”, “We Are Golden” e “Lollipop” foi matador, ou melhor, foi super, ou mara, para combinar melhor com o clima. Em “Lollipop”, com todos os integrantes tocando tambores no início, alguém gritou, “vai lá, timbalada”. No final, ficou a certeza de que, as músicas são boas, não ótimas, mas o show é excelente, se os discos vierem mais inspirados daqui pra frente, Mika tem tudo para ser uma megaestrela pop. 


Phoenix


O primeiro show com atraso do festival, 15 minutos. Foi um pouco surpreendente para mim, ver a comoção de muitas pessoas com a proximidade do início do show. Logo de cara, “Lisztomania”, o grande hit da banda, cantada a plenos pulmões. E logo na segunda música, a ótima “Lasso”, o vocalista Thomas Mars já desce do palco, sobe na grade e cola na galera.

“Long Distance Call”, do disco anterior, It’s Never Been Like That (2006), fez bonito, considerando que toda a excitação em torno do Phoenix, ou boa parte dela, é por conta do Wolfgang Amadeus Phoenix (2009), seu disco mais recente. Em seguida, “Fences”, “Girlfriend” e “Armistice” seguraram bem a onda. A iluminação do palco era hipnotizante em alguns momentos e frenética em outros, e quase todas as músicas ganharam finais encorpados, cheios de camadas sonoras. A banda é bem animada no palco, tanto os integrantes fixos, quanto o baterista e o percussionista. 

Até que chega “Love Like a Sunset part I e II”, bonita em estúdio e só. Dá um banho de água fria no show, que vinha empolgante. A jam interminável ainda teve Mars deitado na caixa de retorno com os olhos fechados, pura pose. Esse momento como um todo deveria ser arrancado da memória de quem viu o show. O pique ficou comprometido depois disso, ainda mais com as músicas seguinte, boas, mas não o suficiente para levantar o pessoal do coma. A

Então, eis que surge a salvadora “1901” em versão arrasadora, com um final catártico em que Thomas Mars foi carregado pelo público até uma torre no meio da galera, nesse momento só se via o cabo vermelho neon do microfone, depois, voltou ao palco e terminou a música. Bem bonito e marcante. Ah e a participação do Daft Punk era só boato mesmo.


Pavement


Mexendo fortemente com a nostalgia anos 90, o Pavement já entrou destruindo corações com “Gold Soundz”. O detalhe é que antes do início de cada show rolava uma vinheta dos patrocinadores nos telões, a banda entrou antes do vídeo terminar, o que gerou alguns segundos de constrangimento já que o Pavement estava posicionado e não podia começar a tocar, mas tudo bem Planeta Terra, sem maiores ressentimentos. 

O ar desinteressado de Stephen Malkmus não é novidade para ninguém, ou seja, ninguém esperava o cabeça do grupo todo saltitante e risonho. A típica atitude (ou a falta dela), entretanto, aliada ao som embolado e com instrumental cobrindo a voz em alguns momentos (inclusive os gritos do percussionista Bob Nastanovich) comprometeu um pouco a apresentação. 

Por outro lado, um show que inicia com “Gold Soundz”, termina com “Here” e passa por uma penca de pérolas como “Cut Your Hair”, “Stop Breathing”, “Range Life” e outras, já começa com o jogo ganho. Resumindo: ao que parece, o show do Pavement é sempre ruim, mas é sempre bom, simples assim.


MINHA RESENHA SOBRE O SHOW DO SMASHING PUMPKINS, AQUI

sábado, 30 de outubro de 2010

Araçatuba e a "Família Simonal"


Quinta-feira (28), na parte da tarde, eu no meu serviço...


Eu: você viu? vai ter aquele esquema do Sesc na praça hoje!

Amiga: que esquema?

Eu: show de Max de Castro e Simoninha, homenageando o, falecido, pai deles Wilson Simonal!

Amiga: aff, nunca ouvi falar de nenhum dos três...


E assim Araçatuba esperava ansiosamente o show Baile do Simonal. Fiquei na dúvida se ia ou não. Conheço pouco da carreira do cara, apenas as mais famosas, mesmo que estas sejam mais de 10, talvez. E os trabalhos dos seus dois filhos nunca me despertaram maiores interesses, mas vendo alguns vídeos no You Tube acabei sendo convencido, além do que, era na praça, gratuito.

A ironia já começou no local do show, Praça Getúlio Vargas, ao lado de uma delegacia. Só faltava a praça se chamar Emílio Garrastazu Médici. O palco foi montado na quadra de basquete, a frente de um halfpipe e próximo a alguns aparelhos de ginástica destinados a terceira idade. Agora imagine o público específico, ou tribo (se bem que a moda agora é chamar de Família), de cada um desses lugares da praça, reunido para assistir o show! e ainda somado a neo-hippies, curiosos e bêbados de plantão. Ah, também tinha alguns fãs do Simonal.

Toda essa pluralidade do público araçatubense em atrações culturais, especialmente gratuitas, entretanto, não assusta mais. Já estamos acostumados. Eu mesmo contribui com o samba do crioulo doido (sem trocadilho), pois trajava uma camiseta do Them Crooked Vultures, absolutamente em sintonia com o espetáculo em questão.

Algumas cadeiras foram colocadas a frente do palco, possivelmente para a “família terceira idade”, que deve ter saído da malhação e ido ao show. O fato curioso da noite é que não avistei emos ou garotos coloridos, devo estar ficando míope, pois eles estão em todos os lugares.

Quando cheguei, o show já havia começado. Posicionei-me ao fundo da quadra, com uma boa visão do palco. Na frente, o público prestava bastante atenção, um pouco mais atrás parecia feira livre, rodinhas de pessoas conversando e tomando cerveja, mal lembrando que acontecia uma apresentação.

As musicas conhecidas, até para quem jurava que não conhecia nenhuma, como “Meu Limão, Meu Limoeiro”, fizeram quase todo mundo cantar. Empolgado com a interação, Max de Castro tentou montar um “acorde perfeito”, como ele mesmo disse, incitando três partes da platéia (esquerda, direita e fundão) a cada uma vocalizar, ao mesmo tempo, uma nota regida por ele. Resultado: com o acorde formado não dava para tocar nem Surfin’ Bird com o Ramones.



Teve também o momento de “lalalalalalalaa”, “só os homens”, “só as mulheres”... só não foi constrangedor, com a pífia resposta do público, porque na volta da música (que não me lembro qual é, afinal todas tinham “lalalalalala”) a banda fez um crescendo sensacional.

Talita, amiga e fã do Simonal, que encontrei por lá, passou boa parte do show me zoando, dizendo que eu parecia uma estátua e não dançava, ao contrário de muitos ali. Mas em dado momento da apresentação, assisti de camarote um espetáculo a parte, um casal dançando exatamente na minha frente. O homem, aparentemente com umas cervejas a mais na cabeça, era quem conduzia a dança, no melhor estilo “dance como se ninguém estivesse olhando”, tamanha era a falta de entendimento entre os dois, mas foi bonito (e, especialmente engraçado) de se ver. Estavam felizes.

Antes de tocar “Aqui é o País do Futebol” Simoninha começou a conversar com o público, primeiro perguntando sobre os grandes times de São Paulo, aquele velho artifício que sempre dá certo. Depois perguntou se Araçatuba tinha time de futebol, aí a confusão se estabeleceu na plateia. Alguns ensaiavam falar do Tigrão (Atlético Araçatuba), outros falavam que a cidade não tinha time, já que a equipe citada está com a situação indefinida, até onde eu sei. Em meio a essa dúvida, a secretária de esportes da cidade berrava insanamente “Basquete Clube e Volei Futuro”. Não preciso dizer que essas equipes não são de futebol. Lembrando que o time de vôlei é nova mania entre os araçatubenses, devido aos bons resultados recentes e às contratações de medalhões do vôlei nacional.

Enquanto o impasse futebolístico corria, ouvi um grito vindo do fundo: “hey, música vai”. O que me lembrou do tempo em que fazia cursinho. Sempre que algum professor se desviava do assunto alguém gritava “hey, aula vai”. E normalmente eram os alunos filhinhos de papai, que mal sabiam o que acontecia em sala.

Outro momento “falando com as paredes” foi quando Max de Castro, ao iniciar uma música, disse empolgado: “Quem quiser levantar da cadeira, tá liberado”. Prontamente uma mulher que filmava o show com um celular, na beira do palco, fez um sinal quase que suplicante para que o pessoal ficasse de pé. Resultado: “vshhh vshhh” (bola de feno passando).

Antes que algum leitor diga: “hey, música vai”, digo que o show foi bastante interessante. Bom repertório e banda afiadíssima. O baixista, que se não me engano, se chama Robinho, é um monstro. Simoninha e Max de Castro também não fazem feio, mesmo não sendo cantores excelentes são bons de palco e têm carisma.

Estava tudo lá: Sá Marina, Nem Vem Que Não Tem, Tributo a Martin Luther King, Vesti Azul, Está Chegando a Hora e por aí vai... resumindo: o show foi ótimo, mas o público araçatubense continua sendo o grande destaque. Se bem que, acho que o Simonal adoraria essa zona toda.

Fotos: Talita Rustichelli

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Painel de Discos - Primeiro Semestre 2010


Obviamente não estão no painel todos os lançamentos de 2010, mas destaquei 61 que considero relevantes (uns mais, outros menos), alguns são EPs. Quem quiser se arriscar a adivinhar as capas, fique a vontade. Aceito sugestões para uma próxima montagem dessa.

Ps: Clique na imagem que ela fica um pouco maior.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Faixa a Faixa: Efêmera - Tulipa Ruiz


Artista: Tulipa Ruiz
De Onde: São Paulo, Brasil
Banda base: Tulipa Ruiz (Vocal), Gustavo Ruiz (Guitarra), Luiz Chagas (Guitarra), Márcio Arantes (Baixo), Duani (Bateria) e Stéphane San Juan (Percussão)
Site: tuliparuiz.blogspot.com - twitter.com/tuliparuiz - www.myspace.com.br/tuliparuiz

Disco: Tulipa Ruiz
Ano: 2010
Produtor: Gustavo Ruiz


01 - Efêmera (3’45”): Abre o disco suavemente. A voz de Tulipa, com leveza e agudos precisos, já impressiona quando entra na música. No meio da canção metais fazem belas harmonias, remetendo até ao Los Hermanos, do Ventura. Na verdade, a referência tanto de um como de outro, é mais a sambas antigos, mas também vale a conexão atual. Além da voz, os arranjos sutis e cheios de detalhes chamam atenção com uma dinâmica certeira. O coro é feito pelo trio Negresko Sis, formado por Anelis Assumpção, Céu e Thalma de Freitas. Bela abertura de disco já ganha pontos por todo o resto.

02 – Pontual (2’59”): Levada bem diferente da anterior, mas a sutileza dos arranjos permanece intacta. A bateria, de ritmo quebrado em alguns momentos, muda de andamento várias vezes, mas sem descaracterizar a música. A letra, levemente debochada, fala de um atraso para uma sessão de cinema.

03 – Do Amor (4’31”): Começa com voz, violão e percussão. E a voz mais uma vez encanta com uma linda linha melódica. Os outros instrumentos vão entrando gradativamente, começando com um piano. A banda entra toda no momento que Tulipa explora belos agudos em uma vocalização que vai até o fim da música, quando os instrumentos vão sumindo também gradativamente. Uma das músicas mais emocionantes do disco.

04 – Pedrinho (4’02”): A letra narra uma estranha relação com o Pedrinho: “Pedrinho parece comigo, mas bem resolvido com sua nudez”,”É meu amigo querido e até dormiu comigo no mesmo lençol”. O refrão, com melodia descendente diz com certa tensão: “Pedro esta cantiga não fala de amor/Mas querido, esse som acho que me instigou”. Tensão que aumenta no final, quando Tulipa faz vocalizações enquanto o coro, composto por Leo Cavalcanti, Juliana Kehl, Mariana Aydar, Tatá Aeroplano e Tiê, repete o refrão de forma quase autoritária, como se advertindo o personagem da canção.

05 – A Ordem Das Árvores (3’19”): Representante “udigrúdi” do disco, impossível não lembrar de Gal Costa. Até o timbre dos instrumentos remetem ao desbunde brasileiro da década de 70, mas não pense em um pastiche barato, tudo tem seu devido charme e ligação com as tendência da “nova MPB” (!?).

06 – Sushi (4’11”): A música é marcada, na primeira metade, por constantes breques no instrumental, o que garante a tensão da música, mas até nesse momentos é nítida a imagem da Tulipa cantando com a naturalidade de quem vai ao supermercado fazer compras. A música termina com mais uma bela vocalização emoldurada pelos arranjos certeiros de Gustavo Ruiz.

07 – Brocal Dourado (3’27”): Bateria e baixo bem marcados, o baixo, tocado por Kassin, aliás salta aos ouvidos inevitavelmente. A música segue truncada e “abre” no refrão. Além da participação de Kassin, o coro é feito por Iara Rennó, Thalma de Freitas e Anelis Assumpção.

08 – Aqui (4’23”): Instrumental fragmentado que encontra unidade na linha vocal. Apesar de ser uma das músicas mais longas do disco, a letra é curta, mas sem muitas repetições, e sim bons momentos instrumentais.

09 – Às Vezes (4’06”): Uma das músicas mais festejadas do disco. Também a mais pop, com um que da ingenuidade charmosa dos anos 80, a junção da letra (do pai da cantora e guitarrista da banda, Luiz Chagas) com a melodia operam um pequeno milagre, fazem com que a música – extremamente urbana – tenha um ar quase bucólico.

10 – Da Menina (3’41”): Outra de letra simples e curta, narra com delicadeza uma menina se tornando mulher.

11 – Só Sei Dançar Com Você (3’41): Harmonia e instrumentação claustrofóbicos, a tensão aumenta até dar espaço ao belo refrão. A participação de Zé Pi (Druques) na guitarra e dividindo os vocais com Tulipa é muito boa. A conexão das vozes nos dá a ideia exatamente da dança esquizofrênica descrita na letra. Não tinha maneira melhor de terminar o disco.


Só Sei Dançar Com Você
(com o arranjo bem diferente, mas ainda assim muito bom)

sábado, 26 de junho de 2010

Faixa a Faixa: Das Kapital - Capital Inicial


Banda: Capital Inicial
De Onde: Brasília, Brasil
Formação: Dinho Ouro Preto (Vocal), Yves Passarel (Guitarra), Flávio Lemos (Baixo) e Fê Lemos (Bateria)
Discos que já lançou: Capital Inicial (1986), Independência (1987), Você Não Precisa Entender (1988), Todos os Lados (1990), Eletricidade (1991), Rua 47 (1995), Capital Inicial Ao Vivo (1996), Atrás dos Olhos (1998), Acústico MTV (2000), Rosas e Vinho Tinto (2002), Gigante! (2004), MTV Especial: Aborto Elétrico (2005), Eu Nunca Disse Adeus (2007), Capital Inicial Ao Vivo Multishow (2008)
Site: http://www.capitalinicial.com.br/ - twitter.com/capitalinicial - www.myspace.com.br/capitalinicial

Disco: Das Kapital
Ano: 2010
Produtor: David Corcos (Marcelo D2, Seu Jorge, Planet Hemp)


01 - Ressureição (3’56”):
Irônico o título da faixa que abre o disco, considerando o grave acidente que Dinho Ouro Preto sofreu em 2009. Música intensa, sem a “cara” dos muitos hits da banda, talvez pela letra – não tão explícita como de costume – ou pela falta de apelo maior no refrão. Parceria de Dinho com o eterno “parceiro desconhecido” Alvin L., que a propósito, assina junto com Dinho 9 músicas do álbum: Ressurreição, Como Se Sente, Eu Quero Ser Como Você, A Menina Que Não Tem Nada, Não Sei Porque, Melhor, Eu Sei Quem Eu Sou, Marte Em Capricórnio e Vivendo e Aprendendo.

02 – Depois Da Meia Noite (3’20”): A primeira música de trabalho segue a cartilha dos sucessos do Capital Inicial pós anos 80: pop rock simples, refrão fácil e letra óbvia, nesse caso até infantil: “Dias de verão/e noites de inverno/a cidade as vezes, é um inferno/criei então, um universo/onde tudo era perfeito/e feito prá nós dois”. Sucesso garantido.

03 – Como Se Sente (2’54”): Começa tensa e discreta, mas logo depois se transforma em um típico rock dançante do Killers, ou será do New Order? A letra, estilo autoajuda, é um desfile de frases feitas, como “tudo tem preço”, “a vida ensina”, “aprenda a lição”, “nunca diga nunca mais” e “o mundo dá voltas”.

04 – Eu Quero Ser Como Você (3’02”): É a primeira balada do disco. Começa no piano que, apesar da banda entrar logo, conduz a música toda. O “eu” do título, diz na letra que se sente perdido e quer ser feliz e inabalável como o “você”, provavelmente uma garota, talvez um amigo. Nada que fuja muito do habitual.

05 – A Menina Que Não Tem Nada (2’46”): Começa como candidata a hit. A sequência de acordes é marcante, lembra inclusive a base de O Passageiro, versão do Capital para The Passenger de Iggy Pop. O refrão de A Menina..., entretanto, é fraco e coloca a perder o potencial pop da música.

06 – Não Sei Porque (3’13”): Boa balada levada no violão, mas o solo de guitarra soa muito óbvio, tanto na escolha das notas quanto no timbre. A melodia vocal traz algo de Skank.

07 – Melhor (2’17”): Com pouco mais de 2 minutos, a música é rápida e eficiente. Em alguns momentos surgem uns teclados que remetem novamente ao Killers. Mesmo a referência soando muito artificial, é algo válido por fugir um pouco ao padrão.

08 – Vamos Comemorar (3’44”): Mais uma balada. Vai crescendo com mudanças bruscas na harmonia até culminar em um refrão dramático, onde Dinho se arrisca em tons mais altos do que costuma cantar. Ainda há espaço para uma mudança de andamento no final, acelerando a música.

09 – Eu Sei Quem Eu Sou (3’51”): A letra sugere cenários fantásticos, algo como Alice No País Das Maravilhas: “Ela imagina flores/com cores que não existem em nenhum jardim/tem amigos imaginários/que prá toda pergunta/respondem sim”. Conta com uma série de mudanças de andamento.

10 – Marte Em Capricórnio (2’58”): Rock direto com melodia quase inteira em uma nota só, com direito a berros no refrão. A mais “pesada” do disco.

11 – Vivendo E Aprendendo (3’00): Clima de fim de álbum, ou fim de show. Começa com violão e palmas, que acompanham quase toda a música. Pensando bem, o clima está mais para rodinha de violão.


Depois Da Meia Noite

terça-feira, 22 de junho de 2010

Faixa a Faixa: The Drums


Banda: The Drums
De Onde: Nova York, Estados Unidos
Formação: Jonathan Pierce (Vocal), Jacob Graham (Guitarra), Adam Kessler (Guitarra) e Connor Hanwick (Bateria)
O que já lançou: Summertime EP (2009)
Site: www.thedrums.com - twitter.com/thedrumsforever - myspace.com/thedrumsforever

Disco: The Drums
Ano: 2010
Produtor: Jonathan Pierce


01 - Best Friend (3’29”):
As primeiras notas comprovam que não haverá surpresas desagradáveis, é o mesmo Drums do ótimo EP lançado em 2009. A música vai crescendo até chegar no grudento e ótimo refrão. É algo como um pós-punk desleixado com um vocalista de voz desleixada, ou seja, cool.

02 - Me And The Moon (3’15”): O início, na bateria, da a impressão que o Robert Smith, da fase inicial do Cure, vai entrar cantando a qualquer momento, mas quando entra a voz, a música remete a Strokes. E mais uma vez, um refrão ótimo.

03 - Let’s Go Surfing (2’58”): Essa deliciosa faixa já é conhecida, presente no EP citado. Posso falar que o refrão é ótimo novamente?

04 - Book Of Stories (3’40”): Segue o esquema das anteriores. Melodias simples, crescentes e bonitas.

05 - Skippin’ Town (3’24”): O início começa dar sinais de que as músicas são todas muito parecidas, mas quando entra o refrão você pensa: “quem se importa?”, coros e palmas ajudam o instrumental minimalista, escoltado por um teclado tipicamente gótico/pós-punk.

06 - Forever And Ever Amen (4’30”): É o primeiro single e a música mais longa do disco. A melodia é contagiante, uma das melhores do album.

07 - Down By The Water (3’28”): Também presente no EP, é a faixa mais lenta do disco, na verdade é a única lenta, lentíssima por sinal. A bateria se limita ao bumbo e (provavelmente) a uma meia lua, no fim também entra uma caixa desfigurada por efeitos. Tudo isso somado a um vocal em tom alto e desesperado.

08 – It Will All End In Tears (3’47”): A música é boa, mas aqui os timbres e o esquemão melancólico começam a dar sinais de cansaço.

09 – We Tried (3’48”): Aqui a melodia segue por linhas um pouco diferenciadas do resto do álbum, mas no geral a fórmula é a mesma.

10 – I Need Fun In My Life (3’29”): O título diz tudo sobre essa música melancólica e desleixada, mas bonita.

11 – I’ll Never Drop My Sword (3’50): Começa no violão, novidade! Mas apesar do instrumento, atípico no disco, conduzir quase toda a música, o andamento segue como as anteriores. Aqui, com violão, guitarras, teclado, bateria e coro (a banda usa uma guitarra no lugar do baixo) o som ganha mais corpo, mas não há um refrão forte como nas primeiras faixas.

12 – The Future (4’09”): Música com um que enigmático. Não sei exatamente o porque, mas me lembrou o encerramento do OK Computer, com The Tourist. Coroa muito bem a ótima estréia do The Drums.


Forever And Ever Amen

terça-feira, 25 de maio de 2010

Impressões sobre a Virada Cultural em Araçatuba

Acompanhei 5 atrações na Virada Cultural em Araçatuba: Beatles 4 Ever (parcialmente), As Noivas de Nelson, Badi Assad, Multiplex (parcialmente) e La Putanesca. Ou seja, consegui cumprir o roteiro descrito no post anterior. Seguem minhas impressões.


Beatles 4 Ever


Bealtes 4 Ever na Praça Getúlio Vargas

Como citei acima, acompanhei parcialmente o show da banda cover dos Beatles, creio que ví umas 10 músicas. A caracterização é bastante cuidadosa, com direito a cortes de cabelo (ou perucas, não sei) e instrumentos semelhantes aos originais, inclusive o baixista também era canhoto, como o Paul McCartney. Tanto o repertório quanto o visual era inspirado, principalmente, na fase inicial dos Beatles, o período especialmente ie ie ie dos caras.

Covers dos Beatles brotam da terra como pragas, o que, consequentemente, aumenta a cobrança da audiência, e no caso do Beatles 4 Ever não houve um diferencial convincente. A animação e as conversas entre os integrantes (que se referiam um ao outro com o nome dos Fab four originais) seguiam em marcha lenta e recheada de frases feitas: "quero ver vocês dançarem muito agora", antes de tocar Twist and Shout em um andamento lentíssimo.
A apresentação serviu mais para os curiosos, sempre presentes em grande número em eventos como esse, porque para fãs do quarteto de Liverpool foi apenas mais do mesmo.


As Noivas de Nelson


Grupo Cia. Paulista de Artes

A peça, baseada em 5 contos de Nelson Rodrigues, lotou o Teatro da UNIP, o que acredito que tenha contribuído para o atraso de cerca de 30 minutos para o início. O bom elenco e a força do texto garantiram a apresentação. Embora a montagem tenha dado um pouco mais de ênfase ao lado caricato, em detrimento da "podridão" característica das histórias de Nelson Rodrigues, o equilíbrio não foi prejudicado seriamente e o resultado foi muito bom.


Badi Assad


A cantora envolveu o numeroso público

Com a programação já atrasada, Badi demorou a subir no palco do Teatro da UNIP, novamente lotado. O show foi apenas voz e violão, mas não pense no esquemão barzinho, longe disso. O repertório, de músicas autorais e covers, é repleto de descontruções e experimentalismo. Talvez os únicos momentos mais humm... acessíveis, foram na versão de "A Primeira Vista", de Chico Cézar, popularizada com Daniela Mercury, e em duas canções feitas para a filha da cantora, momento em que conseguiu boa interação com o público, apostando na letra infantil contrastando com harmonias dissonantes, me lembrou "Ciranda da Bailarina" na essência.

A técnica de percussão vocal feita simultaneamente a vocalizações impressionou, e tudo isso amparado por harmonias complexas que muitas vezes emulavam o som de dois violões ao mesmo tempo, sei que há um nome para essa técnica, só não me recordo agora.

Ainda teve no repertório uma versão de "Sweet Dreams" do Eurythmics, insana e bonita, com malabarismo vocais impressionantes e belos no final. "Zoar" outra parceria com Chico Cézar também foi um ponto alto da apresentação. No final, antes do bis, "Vacilão", de Zeca Pagodinho, que a cantora caracterizou como um "pagoblues", fez bonito também.

Resumindo, um belo show que manteve um teatro lotado em absoluto silêncio, coisa rara por essas bandas.


Multiplex


A banda certa no lugar errado
Uma grande bola fora da organização, não que a banda (pegada eletro-glam-rock) seja ruim, mas o repertório, extremamente dançante, não teve absolutamente nenhum sentido no ambiente do teatro. Cheguei a pensar que pudesse dar certo com uma eletrônica mais, digamos, contemplativa, mas o tipo de som dos caras é pancadão pra pular mesmo.

A cena chegava a ser patética, o vocalista, afetadíssimo, até um pouco fake, rolando no chão e pulando desengonçado diante de uma plateia estática, sentada, sem entender bulhufas do que acontecia no palco. E para piorar, o som, composto por baixo, guitarra e programações eletrônicas ativadas pelo baixista em um notebook no início de cada música, estava muito embolado, dificultando até o entendimento das letras, que talvez pudessem ser o único atrativo diante da impossibilidade de dançar.

O único espaço em Araçatuba que talvez pudesse comportar esse show seria o Pub Rock Beer, porque em local aberto não sei se teria efeito também.


La Putanesca, Baixarias de Alto Nível - Ângela Dip

Certamente uma das atrações mais concorridas da Virada Cultural em Araçatuba. A fila era absurdamente grande, lembrando que eram duas da manhã e o frio castigava os desagasalhados. Dizem que quanto maior a árvore maior o tombo, aqui se aplica bem. O Stand Up Comedy, que basicamente falava de sexualidade e situações do universo feminino, começou bem, com humor ácido, piadas de humor negro e tiradas "mal-humoradas" certeiras, mas passados os 15 minutos iniciais a coisa desandou.

Piadas curtas e infâmes se sucediam frenéticamente sem nada que fugisse do óbvio, isso sem contar nos enfadonhos jogos de palavras como: "se eu subir no morro eu morro". Muitas pessoas saíram antes do fim da apresentação, o que para um show de humor convencional, sem estratégias mais ousadas, é um grande problema.

Tudo isso culminou no encerramente estranho e até constrangedor, em que a atriz agradeceu, se despediu e disse que ainda faltava 5 minutos para cumprir o contrato do evento, então se alguém tivesse alguma pergunta podia fazer. Em meio a alguns "qual é o seu telefone?" e "pra que time você torce?" eu deixei o teatro. Cansado e avaliando que realmente Badi Assad e As Noivas de Nelson foram as grandes atrções da noite.


Obs1: Devido aos atrasos, nem passei perto do show do Vivendo do Ócio e da Sandra de Sá, me disseram que a cantora deu pití por causa do som, alguém me explica como foi? e alguém foi no Vivendo do Ócio? como foi o show?

Obs2: La Putanesca foi tão chato que esqueci de fotografar.