sexta-feira, 10 de abril de 2009

A saudade ainda cheira como o espírito adolescente


15 anos é tempo suficiente para se ter várias descobertas na vida. Com 15 anos de vida muitos já tiveram uma série de tropeços, já tiveram sua primeira experiência sexual, já perderam alguém querido, já começaram a entender o quão confusa é a sociedade em que vivem e por fim, já sabem de muita coisa que é essencial para a vida.

Em um período de 15 anos um casal de namorados já pode ter subido no altar e constituído família com casa, filhos, animais de estimação etc. Enquanto ainda o mesmo casal, poderia, nesse tempo ter terminado, voltado, terminado, voltado, até descobrir que um não tem nada a ver com o outro e encontrarem outras pessoas para seguir o processo, citado acima, do casal bem estabelecido. 15 anos é tempo suficiente para se repensar toda uma vida, talvez toda uma geração.

Tudo isso para dizer que 15 anos é muito tempo. Mas o que é o tempo para a música? O que dizer quando uma Rockaway Beach de pouco mais de 2 minutos diz mais que qualquer um desses prog-metals de 12. Ou ainda como explicar que o intervalo de 5 anos do último lançamento do Radiohead parecia conter dezenas dos intervalinhos de um ano que as bandas de emocore atuais lançam seus álbuns.

Dizem que os Beatles são o que são hoje porque terminaram na hora certa, mas vá tentar explicar isso para um fã no calor do momento do fim das atividades dos Fab Four. Por outro lado, os Stones continuam lutando contra o tempo. Ok, o último álbum é até bacana, mas sempre naquele esquema: “Nossa que álbum legal, mas você tem o Exile On Main Street também?”.

Há 15 anos uma bala de revólver silenciou um acorde sujo. Embora a dissonância do fato tenha tudo a ver com a personalidade do anti-galã Kurt Cobain, muitos fãs tiveram o coração partido. Aquela fúria seguida de reflexão, típica de quem descobriu ser traído.

O tempo, sempre ele, abafa esse tipo de mágoa, não preciso repetir tudo que pode acontecer em 15 anos. O problema é que, o tempo, dessa vez considerado como momento histórico, é fundamental em todo esse processo, já que o Nirvana surgiu em uma época que as bandas de rock seguiam inevitavelmente para uma vala de esquecimento. Os remanescentes dos anos 80 não queriam sair daquela década, e bandas interessantes estavam sendo sufocadas em um underground sem perspectivas de ascensão.

Até que surgem três maltrapilhos de Seattle e mostram que ser alternativo (seja lá o que isso for) é legal. Bem, o resto da história todo mundo já sabe. O que importa é que a saudade está com 15 anos, ou seja, ainda é uma adolescente, embora tenha uma visão privilegiada do que está ao seu redor. Nada como um novo amor para esquecer um antigo? hum, não sei. Ou essa “tese” é furada ou esse novo amor não chega nunca. Esperamos que até que chegue a maturidade desse sentimento algo novo aconteça. Enquanto isso continuamos freqüentando prostíbulos ao som de Paranoid Android e Last Nite.

Um comentário:

Diuân Feltrin disse...

Muito bom o texto!
Só posso dizer que apesar de todas as polêmicas que alardearam a vida de nosso antigalã (como você disse), Kurt é o cara, conseguiu estilo próprio, fugiu do comum, o que já valeu à pena em sua curta trajetória.